Política

"Vamos colocar a terceira via no segundo turno", assegura Eduardo Leite

17/10/2021 09h53
Na disputa das prévias do PSDB para definir o candidato tucano ao Planalto, gestor gaúcho acredita que alta rejeição a Bolsonaro e a Lula fará com que um nome alternativo avance à rodada final das eleições de 2022
"Vamos colocar a terceira via no segundo turno", assegura Eduardo Leite

Concorrente na disputa interna do PSDB que vai definir o candidato tucano na corrida pelo Planalto, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, assegura que haverá representante da terceira via no segundo turno das eleições de 2022. Embora o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderem as pesquisas de intenção de voto com ampla vantagem, o gestor gaúcho acredita que os altos índices de rejeição de ambos farão com que um deles não avance à rodada final de votação. “Isso (a rejeição) vai, no momento apropriado, fazer com que a população esteja aberta a procurar alternativas. Vamos colocar a terceira via no segundo turno”, enfatiza, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas. Nas prévias do PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, é o principal oponente. Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus, também concorre. A eleição será em 21 de novembro.

Caso vença a disputa no PSDB, quais serão as estratégias para se colocar como opção a Bolsonaro e Lula?
O que a gente tem claro é que o Brasil se colocou em uma divisão política que gera um clima de enfrentamento entre as pessoas e ataques de uns contra os outros, quando o que precisa é atacar os problemas. A alternativa que o Brasil precisa, essa terceira via, não é um terceiro polo de radicalização. Deve ser, efetivamente, um caminho que se preocupe em apresentar uma alternativa de projeto para que o país volte a crescer, tenha condições de se desenvolver, gerar emprego e renda, atender os que mais precisam e ter um governo que funcione e entregue os resultados. É por isso que estou me mobilizando, dentro do PSDB, com o apoio de muita gente, para vencer as prévias e ajudar a construir a alternativa de um centro democrático que boa parte da população está ansiosa para ver no processo eleitoral.

Além de um nome tucano, há outros possíveis postulantes ao Planalto, como Henrique Mandetta, Rodrigo Pacheco, José Luiz Datena e Sergio Moro. O senhor não teme pulverização de votos?
Percebo que a gente tem, em muitos desses nomes, uma disposição de conversar e dialogar que me faz ter muita confiança de que, no momento certo, vamos promover um entendimento, se não entre todos, entre boa parte desses nomes do centro, para construir uma alternativa com força e fôlego eleitoral. Antes de um projeto pessoal, estamos tratando de um projeto para o país, para o Brasil do futuro, que a gente deseja ver saindo desta guerra que aí está colocada. No momento certo, vai acontecer essa convergência para que a alternativa se viabilize e se tenha a menor dispersão de nomes no centro da política.

Quais são os pilares da sua ideia para o país?
O Brasil tem imensa desigualdade social. O carro-chefe de qualquer governo precisa ser o combate à desigualdade e a geração de oportunidades. Para isso, precisa de um país que tenha condições de crescer. E, para que ele possa crescer economicamente — e sustentar esse crescimento —, tem de ser mais simples, ter credibilidade e confiabilidade por parte de quem empreende, para que ocorram investimentos e empreendimentos. O Brasil que a gente vai receber em 2023 precisará dar clara demonstração de buscar ajustar suas contas — e que tenha equilíbrio entre receitas e despesas. Isso vai demandar reformas estruturantes para modernizar a máquina pública. Para reconquistar credibilidade e confiabilidade, as reformas tributária e administrativa são fundamentais, mas não são o fim em si mesmo. São meios importantes para que o país possa ter condições de promover, de maneira mais efetiva, esse combate à desigualdade e a geração de oportunidades. Temos de aperfeiçoar os programas sociais para que atendam os que mais precisam. E, também, a sustentabilidade ambiental, o respeito à diversidade e o respeito ao meio ambiente como alavancas para o desenvolvimento econômico. O respeito ao meio ambiente (é importante) não apenas como respeito ao planeta, mas também como oportunidade econômica: o Brasil tem capacidade de geração de energia limpa e de se destacar no mundo para receber investimentos profundos nesse setor e ser sede de empresas que demandam acesso pesado à energia. Estamos desperdiçando isso à medida que o país não se mostra sintonizado com as preocupações climáticas e com o meio ambiente.

A Câmara aprovou projeto que fixa o ICMS dos combustíveis. Bolsonaro tem colocado esse imposto como vilão da alta da gasolina. O que pensa disso?
Basta ver os fatos: no início do ano, a gasolina no Rio Grande do Sul estava em R$ 4,50. Agora, está em R$ 6,50, sem que se tenha feito qualquer alteração de ICMS. É exatamente o mesmo percentual. E o combustível não parou de subir. Em março, o presidente Bolsonaro anunciou que ia zerar o PIS/Cofins do diesel para segurar a alta dos preços. E o diesel não parou de subir depois disso. Não é, de maneira nenhuma, verdadeiro que o ICMS seja o vilão. Isso só joga uma cortina de fumaça para tentar terceirizar culpas pelo aumento de preços e pela inflação a que o país está assistindo. Além disso, vai gerar frustração de expectativas, porque não vai reduzir o preço e vai impactar nas contas dos estados. E não são contas dos governadores ou dos governos estaduais: é o dinheiro que sustenta a educação, a segurança e a saúde. Tem de discutir o assunto em uma reforma tributária ampla e profunda. Esse é o caminho. Mas o governo não coloca sua energia em resolver os problemas estruturais do Brasil. São arremedos, remendos, que não resolvem o problema, apenas para sustentar uma narrativa que sempre terceiriza a culpa. Está sempre jogando a culpa para o colo de alguém, quando, na verdade, são a incapacidade administrativa, a falta de projeto do governo e o ambiente de crise constante criado pelo presidente que pressionam o dólar, por exemplo.

Se houver segundo turno entre Lula e Bolsonaro, como se posicionará?
Não dá para trabalhar sob hipóteses. A gente estará no segundo turno. Tenho convicção disso. Muito se fala da polarização na intenção de voto, mas pouco se fala da polarização na rejeição. A rejeição que esses dois candidatos têm é gigante. Isso vai, certamente, no momento apropriado, fazer com que a população esteja aberta a procurar alternativas. Vamos colocar a terceira via no segundo turno.

Autor: Guilherme Peixoto

Fonte: correiobraziliense.com.br