Política

STF e TSE abrem investigação sobre atos antidemocráticos de 7 de setembro convocados por Bolsonaro

16/09/2021 07h46
Inquéritos vão apurar financiamento de viagens e diárias de hotel, além de campanha eleitoral antecipada
STF e TSE abrem investigação sobre atos antidemocráticos de 7 de setembro convocados por Bolsonaro

BRASÍLIA — O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal Eleitoral (STE) abriram investigação sobre financiamento das manifestações anitidemocráticas de 7 de Setembro das quais participou o presidente Jair Bolsonaro. Segundo a TV Globo, o STF incluiu a investigação no inquérito que investiga a organização de atos contra instituições da República, como o Congresso e o próprio STF. Foram alvos desse inquérito, entre outros, o cantor Sérgio Reis, o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) e o caminhoneiro Zé Trovão.

O Supremo e o TSE querem saber quem financiou as viagens de caminhões e ônibus de diferentes partes do país e as diárias de hotéis para participantes dos atos em Brasília e em São Paulo. Há suspeita de que as manifestações podem ter sido financiadas por empresários ou políticos. O TSE também vai investigar se houve conteúdo de campanha eleitoral antecipada.

Ao determinar a investigação nesta quarta-feira, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, mandou incluir no inquérito administrativo provas de vídeo e notícias divulgadas pela imprensa que demonstrariam que as manifestações podem ter sido financiadas por empresários ou políticos. 

Para o ministro, notícias divulgadas na imprensa e vídeos que circulam nas redes sociais mostram situações que podem ter conotação de abuso de poder econômico e político. Por isso, pediu à Polícia Federal que transcreva e investigue o material.

“Há notícias nos grandes veículos de comunicação e redes sociais, que apontam que foram confeccionados bonés e roupas, com a mesma finalidade e com eventual intuito eleitoral, o que pode ainda caracterizar possível campanha eleitoral antecipada”, explicou o corregedor.

Segundo o despacho desta quarta-feira, o material é um vídeo divulgado nas redes sociais que mostra cenas do interior de um ônibus que supostamente saiu de Pompeia, interior de São Paulo.

Para o ministro, notícias divulgadas na imprensa e vídeos que circulam nas redes sociais mostram situações que podem ter conotação de abuso de poder econômico e político. Por isso, pediu à Polícia Federal que transcreva e investigue o material.

“Há notícias nos grandes veículos de comunicação e redes sociais, que apontam que foram confeccionados bonés e roupas, com a mesma finalidade e com eventual intuito eleitoral, o que pode ainda caracterizar possível campanha eleitoral antecipada”, explicou o corregedor.

Segundo o despacho desta quarta-feira, o material é um vídeo divulgado nas redes sociais que mostra cenas do interior de um ônibus que supostamente saiu de Pompeia, interior de São Paulo.

Ataque a Moraes

Ao falar para seus apoiadores no ato na Avenida Paulista de 7 de setembro, Bolsonaro chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de "canalha", disse que ele deveria "pegar o chapéu" e deixar a Corte e afirmou que não iria mais cumprir decisões de Moraes. Descumprimento de medidas judiciais é crime, segundo o artigo 330 do Código Penal.

— Ele tem tempo ainda para se redimir, de arquivar seus inquéritos... Ou melhor, acabou o tempo dele. Sai, Alexandre de Moraes! Deixa de ser canalha. Deixa de oprimir o povo brasileiro, deixa de censurar o seu povo. Eu falo em nome de vocês. Devemos determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade — disse Bolsonaro, classificando como "presos políticos" aliados seus que foram presos sob suspeita de cometer crimes contra a Constituição, como ameaçar ministros do Supremo.

A fala de Bolsonaro foi interrompida por gritos de "eu autorizo", vindos da plateia, em referência à possibilidade de chamar as Forças Armadas como poder moderador, o que o STF já confirmou ser inconstitucional. Depois de alguns segundos, ele continuou:

— Dizer a vocês que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou. Ele tem tempo para pedir seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais.

Moraes é o relator de quatro inquéritos que tramitam contra Bolsonaro no STF e tem sido o responsável por decisões contra apoiadores do presidente que ameaçam as instituições e a democracia, alguns atendendo a pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR), como é o caso do ex-deputado federal Roberto Jefferson.

Autor: Mariana Muniz, com G1

Fonte: oglobo.globo.com