Política

Ministro da Saúde tem teste positivo para Covid-19, no segundo caso confirmado na delegação brasileira à ONU

22/09/2021 07h46
Marcelo Queiroga, que já havia recebido duas doses da vacina, ficará isolado por 14 dias em Nova York, informou o Ministério da Saúde
Ministro da Saúde tem teste positivo para Covid-19, no segundo caso confirmado na delegação brasileira à ONU

NOVA YORK E BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, testou positivo para Covid-19 e ficará isolado em Nova York por 14 dias. A informação foi confirmada pela  Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom). É o segundo caso confirmado na delegação brasileira que participa da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

O diagnóstico foi obtido após o ministro, que já estava imunizado com duas doses da vacina contra Covid, fazer um teste para retornar ao Brasil. Após receber o resultado, ele telefonou para uma pessoa próxima relatando que está assintomático e que foi impedido de embarcar de volta. Ele cumprirá quarentena obrigatória nos EUA, no hotel em que ficou hospedada a delegação brasileira e onde permanecem alguns ministros que ainda têm compromissos na cidade nos próximos dias.

No Twitter, o ministro disse que seguirá "todos os protocolos de segurança sanitária", e que o Ministério da Saúde "seguirá firme nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil". 

O resultado positivo de Queiroga deixou a comitiva apreensiva. O ministro circulou o tempo todo de van com outros integrantes da delegação.  Ele, porém, era o único que ficava quase todo o tempo de máscara. 

Em nota, a Secom disse que o ministro da Saúde "passa bem" e que os demais integrantes da comitiva realizaram o exame e tiveram teste negativo para a doença. Apesar disso, a comitiva deverá trabalhar em sistema remoto até o final da Assembleia Geral, que se estende até a próxima segunda-feira. 

Queiroga chegou a Nova York no domingo, no avião presidencial que levou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele foi uma das autoridades mais ativas durante a passagem da delegação brasileira pela cidade, com uma agenda intensa de reuniões, inclusive com mandatários de outros países.

Na manhã de segunda-feira, Queiroga se reuniu com investidores nas dependências do Consulado Geral do Brasil, onde trabalham, de acordo com funcionários, cerca de 60 pessoas, entre servidores e contratados locais. Todos terão que fazer teste PCR para Covid-19. O consulado, que mantinha um esquema de revezamento entre os funcionários até recentemente, havia retomado as atividades de forma 100% presencial justamente na última segunda-feira.

Na segunda-feira à tarde, o ministro participou, com o presidente Bolsonaro e outros ministros, de encontro com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no Consulado Geral do Reino Unido. Depois, se reuniu com pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA nas dependências da missão permanente do Brasil na ONU. Nesse encontro, também esteve presente a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Por causa dessa reunião, os diplomatas e demais funcionários que atuam na missão, que ocupa dois andares de um prédio comercial fora das dependências das Nações Unidas, na Terceira Avenida, foram orientados a trabalhar remotamente até segunda ordem. Isso inclui as tratativas brasileiras nas plenárias que acontecem no âmbito da Assembleia Geral da ONU

Na noite de segunda-feira, o ministro da Saúde foi um dos convidados do jantar oferecido ao presidente Jair Bolsonaro na residência oficial do embaixador do Brasil na ONU. Na ocasião, de dentro da van, fez gestos obscenos na direção de um grupo que de brasileiros que protestava contra o governo.  Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o momento em que o médico, dentro de uma van que transportava a comitiva, aponta o dedo médio para um pequeno grupo de manifestantes que criticava o governo.

Nesta terça-feira, Queiroga acompanhou Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, onde se encontraram com o presidente polonês, Andrzej Duda, e com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Depois, compareceu a um evento da Organização Pan-Americana da Saúde. E, por fim, visitou o Memorial do 11 de Setembro com o presidente Bolsonaro e a primeira-dama, além de vários outros ministros. A passagem da comitiva pelo memorial provocou aglomeração de curiosos, seguranças, jornalistas e apoiadores de Bolsonaro.

Em todos os eventos públicos que participou, Queiroga usava máscara.

Na segunda-feira, outro integrante da comitiva brasileira já havia sido diagnosticado com a doença e foi isolado no mesmo hotel em que se hospedou o presidente Jair Bolsonaro.  A função e a identidade do primeiro funcionário não foram confirmadas pelo governo brasileiro, mas sabe-se que cuidou dos preparativos antes da chegada das autoridades, e na sexta-feira se encontrou com colegas e visitou a missão do Brasil na ONU. Segundo O GLOBO apurou, trata-se de um diplomata que está cedido desde outubro do ano passado ao Palácio do Planalto.

Autor: Pedro Moreira, especial para O Globo e Jussara Soares

Fonte: oglobo.globo.com