Política

Mensagens em poder da CPI da Covid indicam ação coordenada nas redes para atacar opositores do governo

24/09/2021 07h42
Grupos no WhatsApp foram usados para mobilizar iniciativas contra Doria, Lula e Joice Hasselmann
Mensagens em poder da CPI da Covid indicam ação coordenada nas redes para atacar opositores do governo

BRASÍLIA — Mensagens em poder da CPI da Covid indicam que blogueiros ligados ao governo usavam grupos de Whatsapp para coordenar ataques nas redes sociais contra adversários políticos do presidente Jair Bolsonaro. A estratégia foi usada em mobilizações contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), uma das principais denunciantes do suposto esquema que envolveria também a divulgação de notícias falsas e o uso de robôs — a parlamentar prestou depoimento à CPI das Fake News. O material foi obtido com exclusividade pelo GLOBO.

Em uma conversa num grupo do aplicativo, em abril de 2020, o youtuber bolsonarista Bernardo Küster afirma: “Recebi ordens do GDO para levantar forte a tag #DoriaPiorQueLula. Bora lá no Twitter”, escreveu, sendo apoiado por outros integrantes do chat. Cinco meses antes, durante os trabalhos da CPMI das Fake News, Küster tentou vazar informações que, avaliou, prejudicariam Joice, ex-aliada de Bolsonaro. O termo “GDO”, segundo senadores que estão analisando as mensagens, seria uma referência a “Gabinete do Ódio”, forma como o grupo de apoiadores com atuação nas redes — que incluiria também auxiliares com cargos no Palácio do Planalto — ficou conhecido. Relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) avalia incluir as informações contidas no material em seu parecer final.

Em um diálogo com um assessor parlamentar da deputada bolsonarista Caroline de Toni (PSL-SC), que tinha acesso a documentos sigilosos da CPI das Fake News, Küster pergunta quando poderia “vazar” uma informação que obtivera sobre a “Pepa”, termo jocoso usado para se referir a Joice. O assessor, contudo, ficou com medo de passar a informação e ser descoberto pela parlamentar, mas buscou uma alternativa:

“Falei com o adv (advogado) do gabinete do Edu, e ele disse que vai tentar outro caminho (...) Se isso vier a público agora, a Joice vai solicitar ao pessoal lá quem acessou (o sistema). Vai foder o cara lá e a mim tbm, que contei”, explicou o assessor parlamentar a Kuster.

Autor: Paulo Cappelli

Fonte: oglobo.globo.com