Política

Malafaia ataca ministros de “dentro do Palácio” contrários à indicação de Mendonça

11/10/2021 16h18
Considerado o principal apoiador de Bolsonaro entre os evangélicos, o pastor Silas Malafaia decidiu esticar a corda na cobrança pela nomeação de André Mendonç
Malafaia ataca ministros de “dentro do Palácio” contrários à indicação de Mendonça

Considerado o principal apoiador de Bolsonaro entre os evangélicos, um dos últimos redutos eleitorais onde o presidente mantém consistência de aprovação, o pastor Silas Malafaia decidiu esticar a corda na cobrança pela nomeação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em um vídeo postado na manhã desta segunda (11) ele ataca “políticos cujo gabinete está no Palácio do Governo” e que “são contra a indicação de André Mendonça ao Supremo”.

A Casa Civil, que tem por ministro Ciro Nogueira, fica no quarto andar do Palácio do Planalto, bem como a Secretaria de Governo, sob o comando de Flávia Arruda, ambos integrantes do Centrão, ala que abarca, ainda, o ministro das Comunicações Fábio Farias. Todos, políticos licenciados de mandatos no legislativo federal e que nas últimas semanas passaram a defender o nome de Alexandre Cordeiro de Macedo, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para o STF.

No mesmo vídeo, que começa com o pastor conclamando o “povo abençoado do Brasil”, Malafaia diz que esses mesmos políticos têm jantado com “gente inescrupulosa que quer atingir o presidente” e promete mais um vídeo, onde falará mais sobre os ministros.

A indicação de Mendonça é vista com uma das maiores promessas de Bolsonaro à ala evangélica. Em compensação, o Centrão tem abocanhado espaços cada dia  maiores no governo em troca de um necessário apoio dentro do Congresso para implementação das pautas do governo Bolsonaro e estancagem de um eventual processo de impeachment. O PP, partido de Ciro Nogueira, inclusive, está na lista dos possíveis destinos do presidente, que continua sem sigla para disputar a eleição.

O presidente remeteu o nome do ex-advogado geral da União ao Senado em 13 de julho, mas a nomeação depende de uma sabatina a ser realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. A pauta da CCJ, no entanto, está nas mãos do presidente da comissão, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que até o momento não agendou a data da sabatina.

O impasse tem se estendido. As postagens de Malafaia tornaram-se recorrentes desde a semana com adjetivos como “safadeza” e expressões como “jogo sujo” para se referir à demora na definição de uma data.

As cobranças se estenderam ao presidente Bolsonaro que no domingo veio à público lembrar Alcolumbre dos dois anos de apoio que deu ao ex-presidente do Senado. “Quem não está permitindo a sabatina é o Davi Alcolumbre. Teve tudo o que foi possível durante os dois anos comigo e de repente ele não quer o André Mendonça. Quem pode não querer é o plenário do Senado, não é ele. Ele pode votar contra, agora o que ele está fazendo não se faz. A indicação é minha”, disse Bolsonaro no domingo.

André Mendonça é visto como o “terrivelmente evangélico” ideal por Malafaia e outros. Ele é pastor presbiteriano. Em abril, Mendonça valeu-se da bíblia, no STF, para defender decisão política de Bolsonaro de abrir templos religiosos mesmo com a escalada da pandemia. O pastor utilizou a retórica cristã para defender a abertura irrestrita de igrejas, mesmo com o avanço das mortes por covid-19 no país.

Autor: Júlia Schiaffarino

Fonte: congressoemfoco.uol.com.br