Política

De olho no Palácio Guanabara, candidatos buscam a bênção de religiosos

20/09/2021 07h31
Cláudio Castro, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves traçam estratégias para conquistar votos católico e evangélico, que incluem de encontros com bispos e pastores a cantar música gospel em público
De olho no Palácio Guanabara, candidatos buscam a bênção de religiosos

RIO — Certos do peso dos votos evangélico e católico, os pré-candidatos ao governo do Estado do Rio traçam estratégias de aproximação com lideranças religiosas. Com forte entrada no eleitorado católico, o governador Cláudio Castro (PL) tem se aproximado de líderes da Assembleia de Deus de Madureira e de denominações neopentecostais. Já o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) mira em católicos progressistas e busca o apoio de partidos com filiados ligados a igrejas cristãs. Rodrigo Neves, do PDT, conta com a ajuda do grupo Cristãos Trabalhistas, criado por seu partido.

Cantor de música católica, Cláudio Castro tem se aconselhado com o bispo Manoel Ferreira, ex-deputado federal e líder da Assembleia de Deus de Madureira. O governador também se aproximou do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM), ligado ao pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

As agendas de Castro com os evangélicos incluem visitas a templos e até participações em aniversários de pastores. Por onde passa, o governador solta a voz e canta músicas religiosas.

Apesar da forte ligação com a Igreja Católica, Castro não dispensou a ajuda do deputado estadual Márcio Pacheco (PSC). Ex-cantor sertanejo, o parlamentar é hoje astro da música religiosa e tem seu reduto eleitoral entre os católicos.

— O governador foi criado dentro da Igreja Católica. Dos três pré-candidatos, é o que está mais alinhado com o voto ligado a questões religiosas. O PL tem ainda um histórico de candidaturas evangélicas — afirma o presidente regional do PL, deputado Altineu Côrtes. — Não vejo tanto o ex-prefeito Rodrigo Neves quanto o deputado Marcelo Freixo com perfis para o voto evangélico. Será difícil para eles mudarem agora suas imagem — ressalta Côrtes, que aposta em candidatos religiosos na chapa de Castro como outra estratégia.

Grupos progressistas

Marcelo Freixo visitou recentemente o bispo de Campos dos Goytacazes, maior cidade do interior do estado, Dom Roberto Francisco Paz. O religioso é conhecido por seu trabalho em defesa de questões ambientais e forte ligação com movimentos sociais.

A reunião entre Freixo e Dom Paz foi marcada pelo deputado federal Alessandro Molon (PSB), também ligado ao eleitorado católico. Uma aproximação com Dom Paz significará para Freixo portas abertas aos grupos mais progressistas.

Mas a estratégia de aproximação do pré-candidato do PSB de religiosos não se limita aos católicos. De acordo com interlocutores, as conversas com o PT para uma possível aliança no ano que vem para o Palácio Guanabara passam pela ajuda da deputada federal Benedita da Silva, que já foi cotada para ser vice de Freixo.

Evangélica, a parlamentar é ligada à Igreja Presbiteriana e atrai votos de denominações tradicionais. Benedita tem feito a ponte entre o PT e os evangélicos alinhados com propostas defendidas pela esquerda.

Para um dirigente partidário de centro ligado aos evangélicos, pautas polêmicas como o aborto não deverão atrapalhar as costuras de Freixo com o segmento. Segundo ele, questões regionais como isenção de tributos e benefícios aos templos é que pesarão nas negociações.

Ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves também tenta angariar apoios em diversas religiões. O pedetista se antecipou e esteve com Dom Paz antes de Freixo. A busca por alianças é reforçada pelo grupo Cristãos Trabalhistas, que reúne católicos, evangélicos e espíritas. Os integrantes da equipe se reunirão nesta semana com Rodrigo. O encontro terá a participação do presidenciável Ciro Gomes (PDT).

— Nosso partido também criou o PDT Axé, primeiro grupo político de uma legenda a reunir lideranças de religiões de matriz africana. Isso mostra nossa preocupação com a pluralidade. Nesta semana, teremos a reunião dos Cristãos Trabalhista, que não agregam só evangélicos, mas também católicos e espíritas — afirma o presidente da sigla, Carlos Lupi. Ele adianta outra estratégia para o apoio dos evangélicos: — Entre os nossos candidatos ao Legislativo teremos de cantora gospel a líderes religiosos.

Autor: Marcelo Remigio

Fonte: oglobo.globo.com