Política

Conheça todos os pré-candidatos à Presidência para as eleições de 2022

19/10/2021 17h16
Debate das prévias internas do PSDB ao cargo do Executivo, promovido pelo GLOBO e Valor, reúne os nomes de Doria, Leite e Virgílio; conheça os outros postulantes que buscam se consolidar para disputar as eleições de 2022
Conheça todos os pré-candidatos à Presidência para as eleições de 2022

RIO - A menos de um ano da eleição presidencial de 2022, políticos e partidos aceleram as movimentações para consolidar alianças até o pleito em que a tônica deve ser o anti-bolsonarismo. Os três pré-candidatos do PSDB, Arthur Virgílio, Eduardo Leite e João Doria participam nesta terça do debate presencial promovido pelos jornais O Globo e Valor. Além deles, outros postulantes buscam consolidar seus nomes para a disputa de 2022.

Nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece na liderança da corrida pelo Planalto, com 5 pontos percentuais a mais que o segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o último levantamento do Ipec.

Principal candidato da esquerda, Lula subiu o tom na última semana contra Ciro Gomes (PDT) após trocas de ofensas nas redes sociais envolvendo a ex-presidente Dilma Rousseff e não dá sinais de abertura para uma união entre os partidos no primeiro turno. O pedetista, que deve disputar sua quarta eleição presidencial, corre por fora no campo da esquerda — com 8% das intenções de voto — para conquistar a simpatia dos eleitores que se recusam a votar em Lula. 

Mais próximos do petista estão o PCdoB, que fechou uma aliança na esperança de que a gaúcha Manuela D'Ávila possa compor a chapa ocupando a vaga de vice-presidente, e o Psol, ao anunciar que não apresentará uma pré-candidatura à Presidência da República no próximo ano pela primeira vez na história do partido. Com isso, a legenda ruma para se unir a Lula na busca de uma unidade para “derrotar a extrema-direita”, como disse ao GLOBO o presidente da sigla, Juliano Medeiros.

Após se afastar do PT em 2014, o PSB agora trabalha para também se fortalecer como opção a vice na eventual chapa de Lula. Parte da estratégia da legenda foi filiar nomes de peso como o governador do Maranhão, Flávio Dino, que saiu do PCdoB, e os deputados Marcelo Freixo, ex-Psol, e Tabata Amaral, ex-PDT. Apesar disso, o PT ainda não deu nenhum sinal concreto de que fará uma aliança com o PSB e aceitará a indicação de um candidato a vice-presidente.

O atual mandatário, Jair Bolsonaro, ainda não encontrou um partido para ter o controle total e é cortejado por algumas siglas. Aliados aconselham o presidente a aproveitar o momento de trégua nas tensões políticas e selar sua entrada no PP, sigla do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Por outro lado, Bolsonaro também mantém conversas com o PTB e confidencia a aliados que ainda pode optar por uma sigla pequena.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já afirmou que o partido deverá lançar uma candidatura própria em 2022. Em busca de um espaço na chamada “terceira via”, o PSD tenta atrair o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, atualmente filiado ao DEM de Minas Gerais, para se candidatar como opção à polarização de Lula com o presidente Jair Bolsonaro. Pacheco também é cobiçado como opção para o novo União Brasil, fruto da fusão entre DEM e PSL, e será o partido com mais tempo de televisão e mais dinheiro do fundo eleitoral.

Entre outros postulantes à vaga da “terceira via”, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) também é cogitado para o pleito do ano que vem após a atuação e visibilidade conquistada no enfrentamento à pandemia da Covid-19. O político buscou trabalhar de acordo com as diretrizes da Ciência, entrou em choque com Bolsonaro, e após sua demissão, em abril de 2020, passou a se posicionar contra o presidente para descolar sua imagem do governo atual.

Outro nome de destaque durante a crise sanitária foi da senadora Simone Tebet (MDB-MS). Afiada com dados e posicionamentos firmes, a parlamentar chamou atenção do partido no decorrer da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Tebet, que representa a bancada feminina, conseguiu uma vaga informal e desde então está presente na maioria das reuniões. Ela surge como a alternativa mais viável para o MDB frente ao — até então — desinteresse do ex-presidente Michel Temer de disputar o pleito no ano que vem.

Também na esteira da CPI da Covid, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), integrante titular da comissão, já apresentou sua pré-candidatura própria à Presidência da República e tenta conquistar a vaga da terceira via. Segundo Vieira, a ideia é entrar o quanto antes na corrida. O Cidadania, entretanto, ainda vai analisar a pré-candidatura e não deve seguir sozinho na disputa presidencial. A intenção é achar um nome que unifique as forças de centro, mesmo que seja de outro partido.

Alçado à popularidade após a atuação como principal juiz dos casos da Operação Lava-Jato, Sergio Moro abandonou a magistratura para integrar o governo Bolsonaro como ministro da Justiça. Após a saída abrupta do cargo, marcada por atritos e acusações públicas de que o presidente estaria tentando interferir na Polícia Federal, o caminho de Moro na política permaneceu incerto. Nome considerado forte para a terceira via, o ex-juiz deve tomar um rumo até novembro, quando encerra o contrato de consultoria com a empresa Alvarez & Marsal, nos Estados Unidos.

No último mês, Moro se reuniu com representantes do Podemos, em Curitiba, além de outras agendas em São Paulo e Brasília. Como antecipou a colunista do GLOBO Bela Megale, Moro estuda trocar o projeto presidencial e disputar o Senado por um partido que apoie um nome da terceira via ao Planalto. Políticos próximos a ele afirmam que o ex-juiz da Lava-Jato pretende estar num palanque para se defender das críticas que receberá durante as eleições, principalmente as direcionadas por Lula, cujas condenações proferidas por Moro foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na visão desses políticos, Moro teria mais facilidade de se eleger ao Senado disputando pelo estado do Paraná do que chegar ao Planalto, já que tem dificuldade de penetração tanto na esquerda quanto na direita ligada a Bolsonaro.

Autor: Filipe Vidon

Fonte: oglobo.globo.com