Política

Ao vivo: Marcos Tolentino nega ser sócio da FIB Bank e mantém silêncio em depoimento

14/09/2021 16h27
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do advogado apontado como sócio oculto da empresa FIB Bank, que forneceu à Precisa Medicamentos uma garantia irregular no negócio de compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. Mesa: advogado e empresário Marcos Tolentino da Silva; presidente da CPIPANDEMIA, senador Omar Aziz (PSD-AM).
Ao vivo: Marcos Tolentino nega ser sócio da FIB Bank e mantém silêncio em depoimento

Dono da Rede Brasil de Televisão que é apontado como sócio oculto do FIB Bank, o empresário Marcos Toletino presta depoimento nesta terça (14) à CPI da Covid no Senado. Tolentino, porém, iniciou o depoimento negando ser ligado à empresa Fib Bank. "Não sou sócio da empresa", declarou.

O FIB Bank é acusado de emitir uma carta fiança, mesmo sem ser um banco. A Precisa Medicamentos usou o documento para tentar negociação da compra de vacinas da Covaxin junto ao Ministério da Saúde.

Acompanhe ao vivo: 

Os senadores aprovaram um requerimento do senador Rogério Carvalho (PT-SE)  para que a Procuradoria-Geral da República (PGR)  tome providências e solicite que o  Ministério da Saúde suspenda todos os contratos a empresa FIB Bank seja fidejussória. Além disso, o requerimento solicita ao Tribunal de Contas da União (TCU) auditoria nos contratos existentes.

Outro requerimento aprovado foi o do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que requisita informações ao Ministério da Economia, Casa Civil, Advocacia-Geral da União e demais ministérios a respeito da suspensão das cartas de fiança emitidas pelo FIB Bank.

 

Confira os principais pontos do depoimento 

O depoente desta terça-feira (14) possui o direito de ficar calado em questionamentos que possam o incriminar.  A liminar foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Porém, no início da reunião da CPI, Marcos Tolentino discursou e se comprometeu a dizer a verdade sobre os fatos que tem conhecimento.

Ele se desculpou com os senadores membros da Comissão por ter comparecido no dia do depoimento do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). De acordo com Tolentino, a intenção não era "afrontar a CPI", disse. O advogado compareceu ao colegiado acompanhado de um médico. A justificativa para o comparecimento junto a um profissional de saúde são as sequelas da infecção por covid-19.

O empresário negou ser sócio da empresa FIB Bank. De acordo com Tolentino, o empresário se tornou sócio de um grupo de empresas com Edson Benetti, que já faleceu. Segundo ele, as ligações com a empresa Benetti Prestadora de Serviços foram desligadas há 12 anos. Desde então, por ter imóveis, ativos e precatórios em comum com empresas da antiga sociedade, ele possui procurações que o ligam ao atual sócio Ricardo Benetti.

Tolentino negou que recebeu o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, em um jantar para tratar de vacinas em sua residência. O advogado  alegou que durante as negociações irregulares da vacina Covaxin, ele estava em uma Unidade de Terapia Intesiva (UTI) devido a infecção por covid-19.

"Sou um sobrevivente, mesmo. Eu me encontrava internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês. Fui intubado, extubado, fiquei quase 90 dias lá. Tive duas paradas cardíacas, infecção generalizada em todo esse período: fevereiro, março, abril, tendo que reaprender a andar depois, em estado de coma... Pessoas com quadro semelhante tiveram 2% de chance, e por Deus eu consegui sobreviver", justificou.

O depoente informou que não é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com Tolentino, ele e o presidente se encontraram "casualmente" no período que o atual dirigente do Planalto era deputado na Câmara dos Deputados. Sobre os filhos do presidente Bolsonaro, Marcos Tolentino afirmou conhecer o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele também disse que conhece o deputado Ricardo Barros de alguns anos em Curitiba.

Em todos os questionamentos, Marcos Tolentino negou que tenha negociações com o deputado Ricardo Barros na propriedade de precatórios federais. Apesar disso, Tolentino disse que foi convidado para ir até a CPI da Covid acompanhar Barros em seu depoimento.

O depoente não quis se pronunciar sobre as relações com a empresa Benetti. Marcos Tolentino também ficou em silêncio sobre ter comprado a massa falida da empresa Chocolates Pan. Segundo Renan Calheiros (MDB-AL), a empresa teve como diretor o pai de Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos.

Entenda: 

O nome de Toletino é ligado ao líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), também alvo da CPI. De acordo com o depoimento do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), o presidente Jair Bolsonaro atribuiu a Barros a coordenação de um esquema de irregularidades nos processos para aquisição de vacina contra a covid dentro do Ministério da Saúde.

O depoimento de Tolentino estava agendado para o dia 1 de setembro, mas a oitiva foi cancelada após ele apresentar um atestado médico. Na segunda (14) a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, negou um pedido de reconsideração da defesa para que o depoimento dele fosse cancelado. Ela também negou outro pedido, este para que não houvesse risco de condução coercitiva, conforme já autorizado pela Justiça Federal, caso ele não compareça ao Senado.

 

Esta deve ser a penúltima semana de trabalhos do colegiado e a expectativa é de que o relatório final seja apresentado até o dia 24 de setembro. Nestes últimos dias a CPI deve focar nas investigações sobre o caso Covaxin e o papel da Precisa nesse esquema. Para a quarta-feira (15) há previsão do depoimento do advogado Marconny Faria, lobista da Precisa Medicamentos e indicado como próximo ao filho mais do presidente, Jair Bolsonaro, Renan Bolsonaro.

Autor: Júlia Schiaffarino e Marília Sena

Fonte: congressoemfoco.uol.com.br