Política

Ao vivo: CPI da Covid retoma depoimento de diretor da Prevent Senior

22/09/2021 17h06
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior. O objetivo é investigar a empresa sobre uma possível pressão para que os médicos conveniados à operadora prescrevessem medicamentos do chamado tratamento precoce para a covid-19
Ao vivo: CPI da Covid retoma depoimento de diretor da Prevent Senior

CPI da Covid ouve o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, nesta quarta-feira (22). O depoente foi incluído na lista de investigados pela CPI da Covid. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), informou a nova condição do depoente durante a oitiva desta quarta-feira. "Quero informar que mandarei todos os documentos colhidos aqui para a Procuradoria de Justiça  do Estado de São Paulo", informou Renan. "Os fatos aconteceram lá. Há um desejo muito grande do Ministério Público de São Paulo em levantar essa situação", justificou.

Pedro  negou que a Prevent Sênior praticou testagem em massa com o chamado tratamento precoce, ineficaz para a cura e prevenção da infecção por covid-19. De acordo com ele, o que houve foi "estudo observacional". Segundo Pedro, nenhum médico foi orientado a receitar o medicamento hidroxicloroquina. "Cada médico teve a sua autonomia", defendeu.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão, apresentou um áudio de Pedro Batista com outro médico em tom de ameaça. Na fala, o representante da Prevent Sênior pede que o profissional que denunciou as atitudes do plano de saúde volte atrás nas declarações. Confira:

A pesquisa com o kit de medicamentos ineficaz pela Prevent Sênior teve início no dia 6 de abril, sem a autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), no dia 14 do mesmo mês o Conep liberou o estudo, porém seis dias depois o Cope proibiu a prática. Apesar disso,  Pedro Batista Júnior afirmou que o plano de saúde não precisou da autorização do Conselho.

 

Os senadores ficaram insatisfeitos com as respostas do depoente. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) chegou a chamar Pedro Batista de "mentiroso". Os outros parlamentares presentes  concordaram com os apontamentos  de Rogério. "Está de graça aqui na CPI", criticou Aziz. A defesa de Pedro Batista interrompeu os senadores para pedir respeito ao representante do plano de saúde.

Apesar da familiaridade na defesa do tratamento ineficaz para a covid-19, Pedro Batista negou ao colegiado qualquer relação do plano de saúde com algum aliado do presidente Jair Bolsonaro no Congresso. "A Prevent Sênior não tem relação com nenhum gabinete", disse.

A morte do médico Anthony Whong e o falecimento da mãe  do empresário bolsonarista Luciano Hang foram abordados na reunião.  Os senadores apontaram que os dois atestados de óbito por covid-19 foram manipulados para esconder que o tratamento precoce não teve êxito nos pacientes. O depoente se limitou a dar informações sobre os casos , mas confessou que a médica integrante do gabinete paralelo - grupo de aconselhamento ao presidente Bolsonaro fora das diretrizes do Ministério da Saúde na gestão da pandemia  de covid-19, Nise Yamaguchi foi médica assistente no tratamento de Whong.

O médico Pedro Batista Júnior disse ao colegiado que o Ministério da Saúde usou protocolos da Prevent Sênior. De acordo com ele, a pasta anexou dentro de suas planilhas etiquetas do tratamento precoce ineficaz para tratar infecção por covid-19. Mesmo assim, ele negou contatos entre a Prevent Sênior e o Ministério da Saúde. "Não tivemos qualquer contato para desenvolvimento de qualquer protocolo junto ao Ministério da Saúde", informou.

Apesar do depoente negar que a Prevent Sênior distribuiu medicamentos sem eficácia aos seus pacientes, o senador Otto Alencar (PSD-BA) apresentou um vídeo gravado por dois profissionais de saúde mostrando uma cesta com os kits de medicamentos sem eficácia para serem entregues. O senador Otto criticou o fato dos kits não possuírem as receitas médicas. Pedro Batista Júnior disse que as receitas estavam com os pacientes.

O depoimento desta quarta-feira (22) começou por volta das 11h28. O senador Omar Aziz (PSD-AM) abriu  a reunião antes, mas os parlamentares dedicaram um tempo para se solidarizar aos ataques proferidos a senadora Simone Tebet (MDB-MS) na oitiva de terça-feira (21).

Entenda o caso: 

Empresa especializada em planos de saúde para idosos, a Prevent Senior é acusada de ter realizado um estudo com seus pacientes para estimular o uso de hidroxicloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada no combate à covid-19. Nesse estudo, a Prevent Senior teria ocultado mortes que ocorreram com alguns pacientes testados para distorcer o resultado e fazer crer que o uso da medicação tinha obtido bom resultado.

De acordo com o dossiê, nove pessoas morreram durante a pesquisa, mas o estudo mencionou apenas duas mortes. Esse estudo chegou a ser divulgado e elogiado por Bolsonaro como exemplo do sucesso do tratamento precoce.

O depoimento de Pedro Benedito Batista Júnior era aguardado para a quinta (16) passada, mas o empresário não compareceu sob a alegação de que não houve tempo hábil para se programar e estar presente na comissão. Posteriormente, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas corpus que lhe garante o direito de permanecer em silêncio em questionamentos que possam incriminá-lo. A medida foi concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski.

A convocação de Pedro Benedito Júnior foi requerida pelo senador Humberto Costa (PT-PE). O congressista afirma que diversas denúncias de usuários da Prevent Senior relacionadas ao tratamento precoce têm chegado à CPI. Uma dessas denúncias está anexada ao requerimento do senador. Em um dos trechos consta o seguinte relato:

“Minha companheira testou positivo ontem e ao passar pela consulta o médico disse que era protocolo da empresa oferecer o kit. Ela recusou. Mais tarde, em casa, recebeu um telefonema de um funcionário insistindo em que ela aceitasse tomar o kit com cloroquina, porque era o único remédio para isso, e que se a doença ficasse pior, não tinha o que fazer, a não ser entubar”, diz a mensagem.

O senador e demais integrantes da CPI têm reforçado que é inadequado o uso de recursos públicos para a aquisição, distribuição e indução de medicamentos do chamado tratamento precoce, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, sem respaldo científico.

Autor: Marília Sena e Melissa Fernandez

Fonte: congressoemfoco.uol.com.br