Polícia

Polícia investiga ação de traficantes em escolas públicas

21/09/2012 08h57
De acordo com relatos de servidores de seis instituições no estado, a ação de traficantes tem causado muito transtorno a alunos, professores e funcionários.
Polícia investiga ação de traficantes em escolas públicas

Atentados contra o patrimônio público, ameaças a professores e tráfico de drogas. Esta realidade incômoda, apresentada em escolas públicas de Alagoas, motivou uma investigação da Polícia Civil na rede pública de ensino como mostrou reportagem da TV Pajuçara (Clique aqui para assistir). De acordo com relatos de servidores de seis instituições no estado, a ação de traficantes tem causado muito transtorno a alunos, professores e funcionários.
A Escola Geraldo Melo, no Graciliano Ramos, é um exemplo disso. Há praticamente duas semanas, corredores, pátio e salas de aula estão vazias. Na unidade de ensino, nove professores foram ameaçados de morte por alunos supostamente ligados ao tráfico, e denunciam que a venda e o consumo de drogas são fatos cotidianos na escola. A situação provocou o interesse na transferência de trinta alunos e na entrega de pedidos de transferência de dois professores.
No dia 13, um aluno incendiou o banheiro da escola, em retaliação às posturas adotadas pela instituição, que, inclusive, tem figurado nas manchetes do noticiário local e já virou caso de polícia. Na última terça-feira (18), um bilhete deixado embaixo da porta da sala da diretoria evidenciou ainda mais o clima de tensão na escola. “A senhora e as outras diretoras estão com os dias contados. Vamos dar um tiro na cabeça das três”, era o recado no pedaço de papel.
A situação, que já deixava os funcionários apreensivos, ficou ainda pior depois de um telefonema anônimo, revelado por uma pessoa que prefere não se identificar. Passando-se por pai de aluno, um homem perguntou se estava havendo aula na instituição e, ao saber que a única movimentação no local era de servidores, disse que iria atirar em todos se avistasse alguém no local. A partir de então, mesmo sem aulas, uma dupla de policiais do Batalhão Escolar é mantida, em horário integral, na frente da escola.
O comandante de Policiamento da Capital, coronel PM Gilmar Batinga, diz que o motivo de tanta violência nas escolas é a falta de gestão. “O grande problema são questões estruturais. Algumas escolas não têm iluminação, outras estão em completo abandono. É preciso ter mais atenção com o aluno”, observou, ao mencionar que as medidas para mudar este cenário já estão sendo postas em prática.
Outras escolas passam pelo mesmo problema
Esta realidade, no entanto, não faz parte do cotidiano de apenas uma escola. Um relatório, enviado pela 14ª Coordenadoria Regional de Ensino à polícia, dá conta de que cinco outras escolas – Maria Lúcia Lins de Freitas, Margarez Lacet, Francisco Melo, Rubens Canuto e Fernandes Lima – enfrentam o mesmo problema. Diante disso, um relatório está sendo elaborado para ser discutido com a cúpula da segurança pública.
Na Escola Rubens Canuto, no complexo Benedito Bentes, portas arrombadas e pichações evidenciam um cenário assustador. Na boca dos funcionários, diversas histórias sobre consumo de drogas e disputas entre grupos rivais reforçam ainda mais o quadro preocupante.
Na Escola Margarez Lacet, que fica no Tabuleiro do Martins, a situação não é diferente. A disputa entre galeras está estampada nos banheiros e, de acordo com funcionários, grupos rivais fora da escola possuem representantes dentro da instituição. No banheiro, mensagens e desenhos que fazem alusão às supostas facções e até mesmo preservativos podem ser encontrados.
Para se ter uma ideia do drama vivido dentro da escola, além de ameaças a professores, uma parede já foi destruída por causa da explosão de uma bomba no interior da instituição. Só na Margarez Lacet, mais de vinte alunos já foram suspensos neste ano letivo.

Autor: Redação

Fonte: Tv Pajuçara