Polícia

Família de presidiário dado como morto após quadro de meningite contesta versão do Estado

22/07/2021 16h21
Sem a liberação do corpo e tendo descoberto a realização de uma cirurgia de alto risco já no hospital, familiares questionam causa da morte de Joseano dos Santos Silva
Família de presidiário dado como morto após quadro de meningite contesta versão do Estado

Após nota da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), enviada à imprensa na segunda-feira (19), referente à morte de um presidiário após procedimento cirúrgico no Hospital Geral do Estado (HGE), familiares de Joseano dos Santos Silva, de 27 anos, que cumpria pena desde 2014, por tráfico e associação ao tráfico, no Presídio Baldomero Cavalcanti, contestam a versão dada pelo estado sobre a morte do rapaz.

Não tendo conseguido a liberação do corpo até esta quinta (22), Musa Amanda dos Santos, irmã de Joseano, narra que a condução do atendimento do irmão foi feita sem nenhuma comunicação à família.

“O que tivemos de notícia foi que ele foi para a enfermaria do presídio e de lá voltou para cela. Não tivemos mais contato até descobrir que ele simplesmente foi transferido para o HGE, já com dias, e já tinha sido operado por causa de um coágulo na cabeça. O laudo dele no presídio indica que ele tinha sintomas de meningite”, narra.

Ela diz ainda que a família teve dificuldades para ter acesso ao paciente. “Só conseguimos visitá-lo após ordem judicial, no dia 14 de julho. Ele estava ligado a aparelhos, já se recuperando de um procedimento cirúrgico por conta de um coágulo na cabeça, coisa que não foi informada à família antes. Só na última segunda-feira, indo fazer uma segunda visita, é que fomos comunicados que ele estava morto”, conta a irmã.

O quadro do rapaz foi dado como sintomático para meningite, ainda no início de julho, quando Joseano foi transferido para o HGE, no dia 7. Segundo a Seris, ele teria sido atendido pelo hospital de campanha do sistema prisional, ainda no dia 26 de maio, relatando dor nas costas. O diagnóstico de meningite não foi confirmado. Agora, a família aguarda não só a liberação do corpo do rapaz, mas a confirmação da causa de morte.

“Estamos tentando liberar o corpo para fazer o enterro para ele. Foi dito pra gente que o corpo seria liberado sem atestado de óbito. A advogada está tentando entrar em contato com todos os órgãos competentes, a gente está tentando de todas as formas, no presídio, no HGE, no IML, e a gente não tá tendo voz. Ele não tinha nenhum documento, mas já foi colhido material de DNA para identificá-lo, temos todos os ofícios judiciais e, mesmo assim, ainda não conseguimos nada”, desabafa Musa.

Procurada, a Seris reiterou a nota emitida na segunda, onde afirma que o rapaz morreu após apresentar quadro de meningite, durante procedimento cirúrgico. A secretaria salientou ainda que, qualquer denuncia desejada, pode ser encaminhada para a ouvidoria do órgão, que funciona no próprio sistema prisional. Já o HGE confirmou que o corpo foi retirado da unidade às 6:17 da segunda-feira (19).

O Instituto Médico Legal (IML) confirma que o cadáver do rapaz deu entrada no local, mas na terça-feira (20), às 6:54, devido à falta de identificação oficial com foto, confirmando morte clínica como a causa oficial do óbito. No entanto, a emissão de laudo e declaração de óbito só poderiam ser feitas após o processo de identificação. O Instituto aguarda o resultado do exame de DNA coletado.

Autor: Lucas Carvalho

Fonte: gazetaweb.globo.com