Niterói retoma destaque na indústria naval com construção de navios
07/07/2026, 11:53:05
Niterói retoma relevância na indústria naval
Niterói retoma sua relevância na indústria naval com a construção de quatro navios-tanque no estaleiro Mac Laren, gerando até 1.500 empregos. O contrato de US$ 280 milhões visa fortalecer a cadeia produtiva local, impulsionado por encomendas da Petrobras e Transpetro. As embarcações, adaptadas para navegação brasileira, prometem aumentar a logística nacional e reduzir a dependência de navios estrangeiros.
Depois de mais de uma década marcada pelo esvaziamento da indústria naval, Niterói volta a ocupar posição estratégica no setor com a construção de quatro navios-tanque da classe Handy no estaleiro Mac Laren, na Ponta d’Areia. O contrato, avaliado em cerca de US$ 280 milhões — aproximadamente US$ 70 milhões por embarcação — deverá gerar até 1.500 empregos diretos e indiretos e reacende as expectativas de recuperação de uma cadeia produtiva que, durante décadas, foi uma das principais responsáveis pela economia do município.
As embarcações serão utilizadas no transporte de derivados de petróleo, como diesel, gasolina, querosene de aviação e combustíveis marítimos, atuando principalmente na navegação de cabotagem entre portos brasileiros e em operações fluviais. O projeto integra o movimento de renovação da frota nacional impulsionado pelas encomendas da Petrobras e da Transpetro, estratégia que busca ampliar a capacidade logística do país e reduzir a dependência de embarcações estrangeiras.
Embora a fabricação dos blocos estruturais tenha sido iniciada em um estaleiro no Rio Grande do Sul, será em Niterói que os navios ganharão forma definitiva. Depois de concluídas as estruturas metálicas, as embarcações seguirão para o estaleiro Mac Laren, onde receberão sistemas de propulsão, equipamentos elétricos, automação, instrumentos digitais e toda a integração tecnológica necessária antes da fase final de testes de navegação.
Segundo o diretor de Infraestrutura do estaleiro Mac Laren, o almirante da reserva da Marinha José Luiz Rangel, os trabalhos de engenharia já estão em andamento, incluindo os projetos executivos e a compra de equipamentos e materiais.
— Esse programa representa muito mais do que a construção de quatro navios. Ele simboliza a retomada da indústria naval, com geração de empregos, transferência de tecnologia, fortalecimento da cadeia de fornecedores nacionais e recuperação da capacidade produtiva — afirma.
Projetadas por um escritório de engenharia da Noruega, as embarcações foram adaptadas às características da navegação brasileira. Além de operar na costa nacional, poderão acessar regiões como a foz do Rio Amazonas, atendendo às limitações dos portos do país. Cada navio terá capacidade para transportar cerca de dez mil toneladas de derivados de petróleo.
A expectativa é que a primeira embarcação seja entregue em maio de 2028. As demais deverão ser concluídas em intervalos de aproximadamente quatro meses, com previsão de encerramento do programa em 2029. Antes da entrega, todos os navios passarão por uma série de testes em Niterói para certificação de navegabilidade, velocidade, segurança e rastreabilidade, seguindo os padrões internacionais da indústria marítima.
Além do impacto econômico imediato, o projeto deve impulsionar a qualificação profissional. O estaleiro já iniciou parcerias com o Senai, a Escola Técnica da Marinha e empresas fornecedoras dos equipamentos que serão instalados nas embarcações. A proposta é formar profissionais aptos a operar tecnologias embarcadas cada vez mais sofisticadas, unindo a experiência de trabalhadores veteranos à capacitação de jovens técnicos.
