Donald Trump não conseguiu mandar na bola

Donald Trump e seus chiliques de repercussão mundial

Donald Trump não conseguiu mandar na bola

Reza a lenda que, quando um figurão deseja se manter na mídia como centro das atenções, há apenas dois caminhos a seguir: chocar o mundo pelo humor ou pela tragédia. Esses têm sido, justamente, os caminhos trilhados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Partícipe, de uma forma ou de outra, dos principais conflitos internacionais — seja como "mediador", seja como fornecedor de armamentos, o que, em tese, ajuda a movimentar parte da economia norte-americana —, Trump esteve envolvido na guerra entre Rússia e Ucrânia, no conflito entre Israel e Hamas, na Palestina, em declarações sobre uma possível intervenção na Venezuela, em ameaças ao Brasil com o uso da força militar contra o PCC e o Comando Vermelho e, agora, ao desrespeitar uma regra vigente da FIFA (Federação Internacional de Futebol) relacionada a um cartão vermelho aplicado a um jogador dos Estados Unidos. E conseguiu fazê-lo com o apoio do presidente da entidade.

Trata-se de um episódio que remete a mais de meio século, quando, pela única vez, uma expulsão em Copa do Mundo foi revertida. O fato ocorreu no Chile, em 1962, permitindo que Mané Garrincha entrasse em campo na decisão contra a Tchecoslováquia, vencida pelo Brasil, graças a uma reviravolta nos bastidores que envolveu articulações políticas e diplomáticas, com a participação, inclusive, de Tancredo Neves.

Trump, mais uma vez, demonstra sua capacidade de pressionar instituições e desafiar regras que pareciam imutáveis. Contudo, a resposta definitiva ficou a cargo dos reis do futebol, como gostava de definir Nelson Rodrigues. Em campo, os Estados Unidos acabaram derrotados por goleada pela Bélgica, caindo de quatro.

No fim das contas, Donald Trump pode até tentar mandar em muita coisa. Na bola, porém, não conseguiu.

Creditos: Professor Raul Rodrigues