Bruno Guimarães não merece ser o novo Barbosa
06/07/2026, 18:23:38A derrota pertence ao futebol; transformar um jogador em culpado eterno é um erro que a história insiste em repetir.

Li muito sobre Barbosa, o goleiro do Vasco e da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950. Na decisão disputada no Brasil, ele não conseguiu defender o chute de Ghiggia, ponta-direita do Uruguai e autor do gol que calou o Maracanã, então com quase 160 mil torcedores, em 16 de julho de 1950. Foi um marco histórico do futebol mundial e uma tragédia esportiva para o país-sede.
O saudoso Dr. Alcides Andrade costumava falar do sentimento pátrio ferido pela derrota e pela perda daquela Copa do Mundo. No entanto, em momento algum fez críticas a Barbosa, goleiro que, segundo diversos relatos, carregou pelo resto da vida o peso daquele lance e morreu marcado por uma culpa que jamais deveria ter sido apenas sua. O Brasil seria campeão com um simples empate. Para muitos jornalistas da época, houve uma dupla derrota: a da Seleção e a do próprio Barbosa.
Ontem, mais uma vez, o Brasil foi derrotado em uma Copa do Mundo, desta vez nos Estados Unidos. A eliminação veio acompanhada da discussão sobre um pênalti desperdiçado. Segundo comentaristas e ex-jogadores, se a cobrança tivesse sido convertida, a história poderia ter sido diferente. Poderia, sim. Mas essa hipótese jamais pode ser tratada como verdade absoluta ou como explicação definitiva para o resultado.
Na verdade, neste artigo desejo deixar claro que, como brasileiro e torcedor da Seleção Canarinho, não posso execrar o meio-campista Bruno Guimarães por ter perdido um pênalti. Pênalti é assim: bate-se e faz o gol, ou bate-se e perde. Isso faz parte do futebol.
Zico, considerado por muitos o maior cobrador de faltas da história do futebol brasileiro, ídolo mundial, referência para flamenguistas e admirado por torcedores de todos os clubes, maior artilheiro da história do Maracanã e excelente cobrador de pênaltis, também desperdiçou cobranças decisivas. Perdeu uma contra o Vasco, defendida pelo goleiro Mazaropi, na decisão do Campeonato Carioca, e outra diante da França, defendida por Joel Bats, na Copa do Mundo de 1986, no México, resultado que contribuiu para a eliminação brasileira.
Todo torcedor acredita conhecer a melhor decisão para o seu clube ou para a Seleção. Entretanto, aquilo que não aconteceu dentro de campo jamais poderá ser tratado com certeza. Suposições são filhas do achismo, e o achismo, quase sempre, é a mãe de conclusões apressadas, alimentadas por desejos e frustrações.
Quanto ao restante da partida entre Brasil e Noruega, cada um tem o direito de construir sua própria interpretação sobre o desempenho da equipe. O que não podemos fazer é alterar, pela força da emoção ou da imaginação, o resultado de como tudo terminou.
