PL Mulher ganha comando dividido após saída de Michelle
01/07/2026, 12:15:08
A reestruturação do PL Mulher
A saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher obrigou a direção do partido a redesenhar, às pressas, a estrutura do segmento feminino da legenda. Em vez de indicar uma nova presidente nacional, o partido decidiu dividir temporariamente a condução do PL Mulher entre as presidentes estaduais e deixar qualquer definição sobre a sucessão para depois das eleições de outubro. A informação foi confirmada ao GLOBO por três integrantes da cúpula do partido.
Decisões estratégicas em tempos de crise
A decisão foi tomada poucas horas depois da reunião entre Michelle e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e reflete a avaliação da cúpula de que uma troca de comando neste momento abriria um novo foco de disputa interna, justamente quando o partido tenta conter a crise entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Reservadamente, dirigentes reconhecem que o objetivo é impedir que a reorganização do PL Mulher prolongue um conflito que já provocou desgastes na pré-campanha presidencial.
Desafios para o futuro do PL Mulher
Integrantes da legenda também afirmam que a opção por um comando compartilhado decorre da proximidade das eleições e da dificuldade de reorganizar uma estrutura presente em todos os estados. Outra avaliação presente no entorno de Valdemar é que Michelle personalizou o PL Mulher ao longo dos últimos anos e nenhum nome reúne, hoje, capital político suficiente para substituí-la.
Motivações por trás da decisão
Aliados de Michelle, porém, veem outro motivo para a decisão. Na avaliação desse grupo, a direção do partido optou por deixar o comando nacional do PL Mulher vago para evitar que a vice-presidente da estrutura, a vereadora Priscila Costa (PL-CE), assumisse automaticamente o posto. Priscila foi o estopim da crise entre Michelle e Flávio, uma vez que a ex-primeira-dama defendia sua candidatura ao Senado no Ceará, enquanto o senador conduziu negociações que abriram espaço para uma composição com o grupo do deputado André Fernandes (PL-CE).
A perda de um ativo eleitoral
A preocupação da direção do partido, porém, vai além da disputa interna. Integrantes da executiva avaliam que Michelle se transformou no principal ativo eleitoral do PL junto aos eleitorados feminino e evangélico. Nos bastidores, dirigentes admitem que seu afastamento reduz a capacidade de mobilização da campanha em um momento considerado decisivo para diminuir a rejeição do senador entre as mulheres.
Reflexões de Michelle sobre a política
A percepção se agravou depois da reunião de terça-feira entre Michelle e Valdemar. Segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO, a ex-primeira-dama afirmou ao dirigente estar "cansada" da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e chegou a cogitar colocar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição. Também disse que boa parte de sua rotina hoje é dedicada aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e que o desgaste provocado pelos conflitos internos a fez repensar sua permanência na vida política.
Tentativas de convencimento
Durante a conversa, Valdemar tentou convencê-la a permanecer no comando do PL Mulher, adiar qualquer decisão sobre sua candidatura e participar da reunião organizada por Flávio com lideranças femininas nesta quarta-feira. Não conseguiu. Michelle recusou o convite e voltou a afirmar que nunca recebeu um chamado diretamente do senador. "Ele não me ligou para me chamar", teria dito.
A oficialização da saída
Momentos depois, ela oficializou sua saída em nota. No texto, afirmou que deixava a presidência do PL Mulher para se dedicar "integralmente" aos cuidados de Jair Bolsonaro e da filha.
Futuro incerto na disputa ao Senado
Outro tema que já começou a circular nos bastidores é o futuro da disputa ao Senado no Distrito Federal. Embora a orientação oficial seja insistir para que Michelle mantenha a candidatura, aliados de Flávio passaram a tratar o senador Izalci Lucas (PL-DF) como o substituto natural caso a ex-primeira-dama decida abandonar a corrida eleitoral. Izalci almejava concorrer ao governo, mas enfrenta resistência diante da aliança do partido com a atual governadora Celina Leão (PP-DF).
