JHC encolhe por opção. Mas isto representa o preço das traições?
01/07/2026, 09:02:37Dentre os contextos postados em matérias e artigos nos jornais on-line, a palavra traição aparece dos dois lados, a depender dos fatos e de cada tempo político.

Segundo matérias e artigos publicados por diversos autores sobre os bastidores dos acordos políticos em Brasília, o ex-prefeito de Maceió, JHC, teria firmado entendimentos com o presidente Lula, com os Calheiros e até com o deputado federal Arthur Lira. O ponto central dessas negociações seria a nomeação de sua tia para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), compromisso que teria sido cumprido com a indicação feita pelo presidente da República.
Ainda segundo esses autores, JHC não deveria — e, politicamente, também não poderia — lançar-se candidato ao Senado. Todavia, entre dever e poder existe uma diferença fundamental: dever representa um compromisso assumido e, em tese, a ser cumprido; poder, neste caso, representa uma faculdade, sobretudo porque o ser humano nem sempre mantém os acordos que firma. E é justamente aí que reside a questão.
Essa composição daria ao deputado federal Arthur Lira a garantia de que sua caminhada rumo ao Senado da República teria um obstáculo a menos.
Em relação aos Calheiros, a lógica seria semelhante. JHC também não deveria — e, politicamente, tampouco poderia — disputar o Governo de Alagoas sem um entendimento prévio com Renan Calheiros e Renan Filho. Mais uma vez, aquilo que deveria ser transformou-se naquilo que poderia deixar de ser. Novamente, dever e poder passaram a se confrontar.
Ao deixar a Prefeitura de Maceió, seu principal reduto eleitoral, JHC assumiu postura típica de pré-candidato, mas evitou indicar claramente qual cargo pretendia disputar. Sua renúncia ao comando da capital, entretanto, foi interpretada como um forte sinal de que entraria na corrida eleitoral. A partir daí, instalou-se o imbróglio.
No atual cenário das pré-campanhas, Renan Filho aparece como pré-candidato ao Governo de Alagoas; Renan Calheiros busca a reeleição ao Senado; Arthur Lira também é apontado como pré-candidato à mesma Casa Legislativa. Enquanto isso, JHC percorre o Estado em uma pré-campanha considerada discreta, sem grandes demonstrações de apoio político, enfraquecido na formação das chapas proporcionais e cercado por uma dúvida inevitável: quem, de fato, o acompanha? O povo? Afinal, costuma-se dizer que o eleitor só define seu voto quando chega o tempo do "faz-me-rir".
Para ampliar as dificuldades de JHC, o deputado federal Alfredo Gaspar também se lançou como pré-candidato ao Senado, posicionando-se ao lado de Arthur Lira. Esse movimento, na avaliação de analistas políticos, fortalece indiretamente o grupo dos Renans ao agregar o apoio da família Pereira, somado à influência do deputado estadual Antônio Albuquerque e de seu filho, Nivaldo Albuquerque, ambos detentores de expressivo potencial eleitoral no cenário alagoano.
Como se não bastasse, cresce a expectativa de uma aproximação política entre a família Barbosa e Renan Filho, consolidando apoio em Arapiraca e ampliando o cerco político sobre JHC, caso decida disputar o Governo do Estado ou uma vaga no Senado.
Pelo andar da carruagem, o que hoje se desenha é um cenário de crescente dificuldade para JHC nas eleições majoritárias. Se as atuais movimentações políticas se confirmarem, suas chances de vitória poderão ser significativamente reduzidas.
