Cabos de fibra óptica estão em ninhos de aves na Ucrânia

Cabos de fibra óptica estão em ninhos de aves na Ucrânia

Transformação do Ambiente Natural na Ucrânia


Um pequeno ninho trançado com capim e cabos de fibra óptica, encontrado perto da linha de frente da guerra na Ucrânia, mostra como o conflito, iniciado há mais de quatro anos, também está transformando o ambiente natural do país, segundo pesquisadores. Ao longo dos cerca de 1.200 quilômetros da linha de combate, áreas inteiras estão cobertas por cabos de fibra óptica ultrafinos. Eles são usados por tropas ucranianas e russas para controlar drones de ataque sem depender de sinais de rádio, o que dificulta o bloqueio eletrônico dos equipamentos. Os fios podem chegar a 20 quilômetros de comprimento e ficam presos em árvores, espalhados por campos e sobre telhados de cidades próximas às zonas de combate. Sob a luz do sol, formam estruturas que lembram grandes teias de aranha.

A Reutilização de Materiais em Ninhos de Aves


Agora, algumas aves começaram a reutilizar os cabos descartados na construção de seus ninhos. Yana Hrynko, pesquisadora do Museu Nacional da História da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial, em Kiev, examinou cuidadosamente dois ninhos delicados enviados ao museu por integrantes das Forças Armadas que atuam na linha de frente. "Objetos como ninhos de pássaros com fragmentos de fibra óptica mostram como a própria natureza da guerra mudou", afirmou.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, usando tanques, veículos blindados e artilharia. Para enfrentar a vantagem russa em armamentos convencionais, a Ucrânia passou a investir fortemente no desenvolvimento de drones. Atualmente, esses equipamentos têm papel central no campo de batalha. Segundo Hrynko, ainda não se sabe quais espécies construíram os ninhos nem como as aves conseguiram recolher fios tão longos. "O primeiro ninho é formado principalmente por capim seco e cabos de fibra óptica. O material está trançado de maneira bastante firme", explicou.

Descobertas e Análises Futuras


Militares ucranianos que atuam nas regiões de Donetsk, Kharkiv e Zaporizhzhia também relataram ter encontrado estruturas semelhantes e publicaram fotos e vídeos nas redes sociais. Um dos dois ninhos ficará em Kiev e será incorporado ao acervo do museu sobre a guerra. O outro será enviado para análise na Holanda e depois devolvido à Ucrânia, segundo os pesquisadores.

O biólogo Auke-Florian Hiemstra, de 33 anos, trabalha na cidade holandesa de Leiden e é especialista no uso de materiais artificiais por aves na construção de ninhos. Segundo ele, a Ucrânia possui uma grande diversidade de pássaros, e várias espécies podem ter produzido as estruturas. "Vamos procurar vestígios de DNA que ainda estejam presentes no ninho para descobrir quem realmente o construiu", afirmou. "Nunca vi ninhos como esses, e já examinei muitos e muitos ninhos de aves." De acordo com Hiemstra, o uso de fibras ópticas pode ter efeitos positivos e negativos. Os fios podem ferir os animais ou prendê-los, mas também podem tornar os ninhos mais resistentes. "Ao documentar esse ninho, também estamos registrando o impacto da guerra sobre a natureza na Ucrânia", disse o pesquisador.