As grandes mudanças da humanidade têm fontes: da força, da religião e das mídias em campanhas

As armas mudaram, os discursos evoluíram, mas a busca pelo poder continua sendo a mesma.

As grandes mudanças da humanidade têm fontes: da força, da religião e das mídias em campanhas

Estudando, passo a passo, as maiores mudanças da humanidade, detectamos que o fim da Idade Média, marcado por guerras, mortes e pelo domínio dos povos pela força dos exércitos — de Roma ao Terceiro Reich de Hitler — trouxe, em essência, apenas mudanças de comando. Nenhuma dessas eras conseguiu estancar o sofrimento das nações, se assim podemos descrever.

A religião, por sua vez, trouxe, por meio da divisão da história em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.), um verdadeiro divisor de águas. Ela alimentou homens e mulheres na busca pelo amor ao próximo como caminho para uma vida melhor e para relações humanas mais saudáveis. Entretanto, a Igreja também impôs regras e dogmas que, em muitos casos, permaneceram inquestionáveis ao longo dos séculos, dos mais brandos aos mais severos. A ideia do pecado mortal — cuja comprovação pertence ao campo da fé e não da evidência material — e a utilização da Santa Inquisição representam capítulos tão cruéis quanto os suplícios públicos promovidos pelos maiores tiranos da história.

Mesmo assim, a Igreja teve grande importância em diversos momentos históricos. Um exemplo foi a conversão de povos vikings ao cristianismo, especialmente na região que hoje corresponde à França. Essa mudança religiosa contribuiu para transformar antigos invasores em povos progressivamente integrados à nova ordem europeia. A partir desse processo, os vikings deixaram de ser conhecidos como propagadores do terror e passaram a fazer parte da estrutura política e social do continente. Não desapareceram; apenas mudaram de concepção religiosa, substituindo Odin por Cristo como centro de sua fé.

Nos tempos mais recentes, as grandes transformações ocorreram com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra e posteriormente difundida por toda a Europa. Surgiram os primeiros grandes avanços tecnológicos, vistos como verdadeiras maravilhas do progresso. Ao mesmo tempo, porém, essas mudanças provocaram desemprego em massa entre aqueles que não conseguiram acompanhar a evolução das profissões. O futuro sempre chega exigindo novas qualificações.

Entre todas essas formas de domínio, destaca-se também a política, que carrega marcas do passado em toda a sua essência. O poder passou a ser exercido principalmente por meio das leis e da oratória, ou, nos tempos atuais, pela narrativa capaz de convencer uma nação. E quais são essas marcas? A perseguição, que continua sendo uma forma de tortura; a submissão ao poder de quem detém influência política ou financeira; e a constante busca pela ascensão e pelo domínio, objetivos perseguidos pela humanidade desde os primórdios.

As técnicas foram aprimoradas. As escolhas passaram a ser chamadas de democracia. Contudo, permaneceu o desejo de dominar e de conquistar espaços de poder. O marketing tornou-se uma das principais ferramentas para conquistar municípios, estados e países, substituindo, em muitos casos, as antigas conquistas de vilas, territórios e reinos.

Em suma, mudaram os métodos, as ferramentas e os discursos. Mas a natureza humana, em sua permanente disputa por poder, influência e domínio, continua essencialmente a mesma.

Em suma, continuamos os mesmos.

Creditos: Professor Raul Rodrigues