Loja vintage celebra a moda dos anos 1980 e 1990

Loja vintage celebra a moda dos anos 1980 e 1990

Reviva a Era de Ouro da Moda Brasileira

Se fosse possível acessar as memórias sensoriais e afetivas de alguém que foi jovem entre os anos 1980 e 1990, o cheiro da mochila emborrachada da Company ou a textura da jaqueta jeans da Yes, Brazil estariam em lugar de destaque. Trata-se da era de ouro da moda brasileira, época em que chegar ao rolê ostentando o raio da Zoomp na camiseta ou uma estampa tropical da Bee era o auge. E é exatamente esse garimpo feito por Fabio Bechepeche em sua New Division, loja vintage dedicada a peças nacionais produzidas até 1998, localizada na Mata Lab, em São Paulo, além do perfil @newdivisionshop, no Instagram.

“Fui criado no interior do Espírito Santo e ficava louco sempre que minhas primas, que moravam em grandes cidades, chegavam com roupas ‘absurdas’”, recorda-se Fabio. “Quando finalmente consegui comprar uma camiseta da Fiorucci, fiz minha avó costurar a etiqueta do lado de fora.”

Relíquias e Memórias

Munido desse repertório, ele reúne verdadeiras relíquias na loja. Pense em exemplares da coleção de camisetas da Company estampadas com as principais bandas de rock da época ou raríssimas peças da Yes, Brazil com etiquetas em laranja. “O Santo Graal daquela era”, compara Fabio. “A moda, no Brasil, foi meio que descoberta naqueles anos, e não havia concorrência com o mercado estrangeiro. As roupas parecem, ainda hoje, feitas por um designer contemporâneo.”

A Experiência de Walério Araújo

O estilista pernambucano Walério Araújo lembra-se bem do deslumbre experimentado quando chegou a São Paulo, aos 17 anos, e descobriu o que a galera da noite vestia nas boates. “Tinha uma calça da B.O.A.T com uma plaquinha na bunda que amava”, diverte-se ele, que adorou reencontrar clássicos como este na New Division. “É uma melancolia de um tempo que não existe mais. As pessoas eram mais ousadas, mais caras de pau”, reconhece. “Mas muita coisa mudou para melhor também. Então, é para relembrar, mas sem deixar de celebrar o presente.”