Temperatura extrema na Europa destaca 'domo de calor'

Temperatura extrema na Europa destaca 'domo de calor'

A onda de calor extremo e seus impactos

A onda de calor extremo provocada pelo \"domo de calor\" que se estabeleceu sobre a Europa fez com que ao menos 94 milhões de pessoas enfrentassem temperaturas acima dos 35ºC nesta quarta-feira, sobretudo na França e na Espanha. O fenômeno climático, intensificado pela formação de um super El Niño no Pacífico sul e por condições especiais no Atlântico norte, provocou uma série de alertas por parte das autoridades, que temem as consequências extremas como incêndios florestais e mortes por calor. A projeção da AFP, com base na análise das previsões do serviço meteorológico alemão e projeções populacionais do Centro Comum de Pesquisa da União Europeia de 2025, indicou que o total de pessoas enfrentando temperaturas acima dos 30ºC chega a mais de 350 milhões, excluindo a Turquia — o que representa quase dois terços da população europeia.

Temperaturas recordes em diversas cidades

À medida que o dia avançava, as cidades de todo o continente foram sentindo os efeitos práticos das altas temperaturas. Termômetros em Nantes, na França, registraram 41°C por volta das 13h (8h em Brasília) — o que fez a cidade ser a mais quente do continente ao menos momentaneamente. Outras cidades francesas, como Bordeaux (39,3ºC), Toulouse e Paris (ambas, 37ºC) tiveram calor intenso.

— Estamos sufocando — disse Nordine El Kaouri, de 48 anos, trabalhador da indústria automotiva em uma fábrica da Renault em Douai, no norte da França. — Sentimos ondas de calor. Algumas pessoas até desmaiam às vezes. É extremamente, extremamente difícil manter o ritmo de trabalho.

O governo francês, que já havia liberado algumas áreas designadas dos canais de Paris para banho, anunciou o fechamento temporário de atrações turísticas — incluindo o Museu do Louvre e a Torre Eiffel — e o fechamento ou adaptação de 6 mil escolas para lidar com o calor. Alertas sobre possíveis interrupções no transporte ferroviário também foram emitidos, uma vez que há risco de deformação dos trilhos.

Reação em outros países e conscientização sobre o calor

Medidas similares foram anunciadas do Reino Unido à Bélgica, também atingidos pela onda de calor. Na Espanha, Bilbao registrou os mesmos 39,3ºC de Bordeaux, enquanto Stuttgart (Alemanha) e Londres viram os ponteiros chegarem a 33ºC nesta quarta-feira. Na maioria desses casos, os efeitos do calor são agravados pelo fato de edifícios e infraestruturas não serem projetados para suportar altas temperaturas.

Ao contrário de países tropicais, a instalação de aparelhos de ar-condicionado em residências e mesmo em alguns espaços comunitários, como escolas, não é uma constante em países europeus. Apesar disso, o aumento da temperatura global e as frequentes ondas de calor dos últimos anos estão mudando o cenário, mesmo onde havia certa resistência. Em lares franceses, a taxa de instalação de ar-condicionado aumentou um terço em dois anos, passando de 18% em 2023 para 24% em 2025, segundo a Agência para a Transição Ecológica.

Disputa entre conforto térmico e custos energéticos

Ativistas ambientais, que apontam o custo energético da popularização dos aparelhos, estão em disputa aberta com quem defende o direito da população buscar conforto térmico, diante de uma mudança estrutural dos padrões climáticos — cientistas apontam que a atual onda de calor foi \"significativamente agravada pelas mudanças climáticas induzidas pela ação humana\".

Expectativa de mais calor

Temperaturas recorde ainda são esperadas à medida que o \"domo de calor\" se move para o leste da Europa. O serviço meteorológico da Polônia emitiu alertas de calor de alto nível para a parte oeste do país entre quinta-feira e sábado, prevendo que as temperaturas poderão superar o recorde de 40,2°C estabelecido em 1921. A popular costa do Mar Adriático, na Croácia, também foi colocada sob alerta vermelho para sexta-feira e sábado, enquanto a Hungria informou que adotará o nível máximo de alerta entre sábado e terça-feira.