Toda opinião é válida; até a dos pessimistas. Ponte Penedo/Neópolis
21/06/2026, 11:38:43Críticas ao projeto ignoram mudanças históricas, econômicas e turísticas que transformaram Penedo nas últimas décadas.

Ponte Penedo–Neópolis: entre o ressentimento e a realidade
Falar, escrever ou discorrer sobre as polêmicas envolvendo as pontes entre Alagoas e Sergipe é uma das práticas favoritas de certos penedenses ainda ressentidos pela não construção da primeira ponte da integração nacional entre Porto Real do Colégio e Propriá. Naquele contexto, de forma alguma a obra poderia ter sido erguida entre Penedo e Neópolis. A ponte precisava atender à ferrovia já existente entre Propriá e Colégio, fator determinante para sua localização.
Outra observação importante é que a referida ponte pouco ou nada influenciou, à época, no fluxo turístico das duas cidades vizinhas. Trata-se de um fato revelado pelo passar dos anos, embora hoje pareça evidente para muitos críticos. Nos idos de 1972, o turismo ainda era uma atividade incipiente, sem a estrutura e a relevância econômica necessárias para sustentar os argumentos apaixonados que surgiam em defesa ou em oposição ao projeto. Nem mesmo o Carnaval do Rio de Janeiro possuía a projeção internacional que alcançaria posteriormente.
Hoje, retornar às críticas contra a Ponte Penedo–Neópolis com o mesmo fervor, chegando a classificar como vigaristas os políticos envolvidos na nova tentativa de viabilização da obra, é destilar um ressentimento que se assemelha ao veneno de uma cobra inconformada com o próprio ocaso. Chamar a atenção por meio de artigos carregados de imprecisões tornou-se uma prática recorrente. Exemplo disso é a defesa da tese de que Xavier jamais teria perdido um pênalti. O lendário Flecha, entretanto, perdeu justamente numa decisão entre Penedense e CSA, nos idos de 1966. A ausência de pesquisa compromete a credibilidade e retira o brilho de qualquer argumento.
Antecipar que Penedo não obterá benefício algum com a Ponte Penedo–Neópolis é assumir o papel de pregador do caos. Contudo, em respeito à liberdade de expressão, até mesmo esse tipo de previsão pessimista encontra espaço para ser manifestado, para não dizer que não falei das flores.
O saudoso Dr. Raimundo Marinho posicionou-se contra a construção de uma ponte em Penedo por entender que a preservação do sítio histórico deveria prevalecer. Naquele período, todo o tráfego de veículos pesados era realizado por balsas, e a implantação de uma ponte poderia provocar impactos significativos sobre a Cidade dos Sobrados. Além disso, Penedo ainda não possuía vocação turística consolidada.
Hoje, o cenário é completamente diferente. O município integra roteiros e calendários turísticos, recebendo visitantes de diversas partes do Brasil e do exterior de forma contínua. A realidade econômica, social e cultural é outra.
Mas, para quem não vive Penedo, não sente Penedo e não deseja melhorias promovidas por mãos diferentes das suas, qualquer narrativa serve. Até mesmo a odisseia de quem apenas critica a cidade sem compartilhar de sua rotina, de seus desafios e de suas conquistas.
Penedo continuará sendo o vagalume diante das cobras que não brilham e tampouco voam.



