Ilhas flutuantes purificam a água e ajudam no agro
21/06/2026, 09:04:03
Ilhas flutuantes com plantas e materiais reciclados são utilizadas em Alegre para despoluir rios e lagos da região de forma natural. As estruturas utilizam garrafas PET e resíduos do próprio rio, apresentando baixo custo e fácil instalação em açudes de propriedades rurais. O sistema é feito para filtrar a água e atrair peixes e aves, criando um novo ecossistema ao seu redor.
Estruturas flutuantes que lembram pequenas ilhas feitas com plantas e materiais reaproveitados têm sido utilizadas para despoluir rios e lagos no Espírito Santo. O sistema, implementado pelo Instituto Federal do Estado (Ifes) em Alegre, no Sul do estado, funciona como um filtro e colabora com a qualidade da água na região. Segundo o engenheiro ambiental Léo Tannous, as ilhas flutuantes representam uma maneira natural de vivificar os cursos d’água a partir do uso de itens descartados, como garrafas PETs e até resíduos retirados do próprio rio. Além disso, as estruturas contribuem para o aprendizado dos estudantes que participam da elaboração.
Pedro Victor Apolinário, aluno de Ciências Biológicas, não sabia que era possível construir uma ilha que limpa os rios, mas passou a defender o sistema: "Além de trazer algo bonito, um paisagismo, ela também filtra a água, forma um ecossistema em volta dela. Então, a gente consegue formar colônias de bactérias que também vão filtrar a água, trazer de volta a fauna, porque vêm aves, os peixes ficam ali ao redor".
O estudante também ressaltou algo fundamental: o custo-benefício. Feitas a partir de materiais descartados, as ilhas flutuantes são baratas e acessíveis, podendo ser instaladas em diferentes açudes e lagos em propriedades rurais sem a necessidade de altos investimentos.
Diferentes espécies podem ser usadas na construção da ilha, sendo que cada uma delas tem uma raiz que desempenha função específica no processo de filtragem da água, como explica Léo Tannous: "É importante saber qual o tipo de contaminação que tem nesse rio, nesse curso d'água, para encontrar as plantas específicas que vão gostar de absorver e retirar aquilo da água".
Na própria natureza também é possível encontrar ilhas flutuantes naturais que realizam o trabalho de limpeza das águas: são as plantas capazes de absorver matéria orgânica, como a lentilha d'água, a salvinia e o aguapé. A presença excessiva dessas espécies em rios e lagos, inclusive, indica grande presença de poluentes, como explica Karla Pedra, Coordenadora do Laboratório de Botânica do Ifes. "Todas essas plantas têm a capacidade de absorver nutrientes da água. Então, a gente tem a retirada de matéria orgânica que pode vir de esgoto, descarga de efluentes de alguma criação, os próprios agrotóxicos".
A solução despoluidora pode ser aplicada tanto para recuperar o meio ambiente quanto para melhorar a qualidade das águas de propriedades rurais. Thay Ciara, aluna de Agronomia, explicou que, em algumas produções, o uso de agrotóxicos é comum, o que pode resultar na contaminação do solo e rios. "A gente tem contaminação desde as cidades, com esgoto, até as produções agrícolas também, onde a gente utiliza venenos para combater as pragas, as doenças que a gente tem no nosso meio agrícola, o que vai influenciar no lençol freático e nas nossas águas", relata Thay.
Mais do que uma técnica, então, a proposta é mostrar que existem caminhos acessíveis para cuidar da água, como ressalta Léo. "Ela é mais uma ferramenta, mais uma carta na manga de soluções que a gente busca se inspirar no que a natureza já faz para recriar sistemas que vão melhorar a condição que a gente vive atualmente."
