Estudo revela que 4 em cada 10 PMs usam psicotrópicos

Estudo revela que 4 em cada 10 PMs usam psicotrópicos

Uma realidade preocupante na Polícia Militar do Rio

Um novo estudo do Instituto de Medicina Social da UERJ trouxe dados alarmantes sobre a saúde mental dos policiais militares do Rio de Janeiro. Segundo a pesquisa, quatro a cada dez PMs (39,7%) afirmam que usam psicotrópicos, medicamentos que são frequentemente prescritos para condições como ansiedade, depressão e insônia.

Metodologia da pesquisa

O estudo envolveu 2.688 policiais, abrangendo todas as patentes da corporação, e foi realizado entre setembro de 2025 e junho de 2026. A pesquisa analisou, entre outros aspectos, os impactos da síndrome de burnout na rotina desses profissionais.

Uso contínuo e prescrição médica

Dentre aqueles que utilizam essas substâncias, cerca de 15,2% relataram fazer uso contínuo há mais de três anos. É importante notar que quase 21% dos entrevistados mencionaram que usam os medicamentos sob prescrição de um psiquiatra, o que indica que muitos estão buscando ajuda profissional.

Sintomas de abstinência e culpa

A pesquisa também revelou que uma parte significativa dos PMs apresenta sintomas sugestivos de abstinência ao tentar interromper o uso, com 22,1% relatando essa dificuldade. Além disso, 16,5% sentem culpa pelo uso dos medicamentos, o que pode indicar um estigma associado à busca por tratamento entre os policiais.

Medicamentos mais utilizados

Entre os medicamentos mais comumente utilizados estão os ansiolíticos, liderados pelo Clonazepam (22,2%), seguido pelo Alprazolam (16,3%) e Diazepam (9,6%). Os antidepressivos, como o cloridrato de fluoxetina, também são relevantes na pesquisa, com 14,5% dos policiais fazendo uso deste tipo de medicamento, além do indutor do sono Hemitartarato de Zolpidem (7,7%).

Estudo multicategorial

O trabalho completo é intitulado "Sofrimento psíquico, riscos psicossociais e uso de psicofármacos na Polícia Militar do Rio de Janeiro: resultado de um estudo multicategorial" e conta com a participação de 16 autores, incluindo médicos, psicólogos, enfermeiros, estatísticos e engenheiros. Esses dados ressaltam a necessidade urgente de abordar a saúde mental na Polícia Militar e buscar soluções adequadas para os membros da corporação.

Conclusão e chamada para ação

Esses dados revelam uma realidade alarmante sobre a saúde mental dos policiais militares do Rio de Janeiro. O uso de psicotrópicos pode ser um reflexo da pressão enfrentada por esses profissionais. É fundamental que a sociedade se envolva na busca por melhores condições para a Polícia Militar, além de apoiar iniciativas que promovam a saúde mental na corporação.