Um até breve ao amigo Edgar do Cine São Francisco
16/06/2026, 18:49:42Mas o que é mesmo o tempo? Para os Físicos uma sensação, para outros pensadores, algo que não podemos ter do passado nem do futuro, pois a nós não pertence. E o nosso tempo na terra só a Deus pertence.

A frase "até logo" não significa existir uma data marcada, nem tampouco que o reencontro acontecerá em curto espaço de tempo. Também não sabemos quando partiremos ao encontro dos nossos parentes e amigos mais próximos que já deixaram esta vida. Mas a expressão "o último adeus" carrega uma melancolia profunda. Muito em breve ou um pouco mais adiante no tempo, iremos, sim, nos reencontrar.
Assim defino a despedida do meu amigo e de tantos outros: Edgar, do Cine São Francisco, ou o Tampinha da Dona Lela, com quem convivi por mais de meia década em conversas de excelente qualidade nos arredores da Droga Lima. Ali ficávamos reunidos com tantos outros amigos: Damião Refrigeração, por vezes Bodão, seu Moacir e muitos mais, apenas para jogar conversa fora.
Quando o assunto era política, Edgar tinha suas marcas registradas. Sempre perguntava quem estava agarrado ao "osso do peru", referindo-se aos agregados da prefeitura. Também elogiava a atuação da então deputada estadual Heloísa Helena, de quem era admirador, e, em sentido contrário, demonstrava desconfiança em relação a Ciro Gomes, por conta de seus frequentes arroubos.
Dos tempos em que trabalhou como agente de portaria do Hotel São Francisco, Edgar leva consigo a marca da elegância no atendimento e da postura sempre cordial ao receber turistas, famosos ou não. Foi um fiel escudeiro da época áurea de Penedo.
Pai da professora Suzana, educadora de qualidades ímpares, Edgar era fruto de um casal de fino trato, representante de um tempo em que o respeito ao trabalhador era um valor inegociável, sem manchas, e em que a dedicação ao trabalho era motivo de orgulho.
Edgar deixa saudades entre todos os que o conheceram. Até mesmo seu caminhar pelas tardes ficará na memória, hábito que cultivava para preservar a saúde, sempre acompanhado de sua inseparável varinha de ferro, utilizada para espantar os cachorros que porventura se atrevessem a incomodá-lo.
Aos familiares do amigo Edgar meus sentimentos.
