Tragédia na Ponte do Esqueleto em SP com jovem sem corda
14/06/2026, 10:52:02
Conheça a Ponte do Esqueleto, em SP, onde jovem morreu em salto sem corda
Há cerca de 30 anos, o imenso esqueleto viário encontra-se completamente abandonado e sem qualquer função formal para o sistema de transporte da região.
Tragédia na Ponte do Esqueleto: Jovem morre e instrutores são presos. A Ponte do Esqueleto, abandonada há 30 anos na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, SP, foi cenário de uma tragédia recente. Maria Eduarda, 21, morreu ao saltar sem corda de segurança, fato que resultou na prisão de três instrutores por homicídio com dolo eventual. A estrutura, frequentada por aventureiros, é alvo de críticas por falta de fiscalização. A prefeitura de Limeira planeja acionar a União por omissão na segurança do local.
A busca por adrenalina terminou de forma trágica no interior de São Paulo, no último sábado (13), quando Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após cair de uma altura de 40 metros. O episódio ocorreu na estrutura conhecida como Ponte do Esqueleto, na Zona Rural de Limeira, quando a jovem foi lançada rumo ao abismo sem estar conectada ao equipamento básico de proteção, a corda de segurança.
Localizada na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, a Ponte do Esqueleto atrai centenas de curiosos todos os anos e virou point para a prática de esportes radicais. A estrutura de concreto, erguida na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, nunca chegou a ser concluída para o trânsito de veículos. Há cerca de três décadas, o imenso esqueleto viário encontra-se completamente abandonado e sem qualquer função formal para o sistema de transporte da região.
Apesar da falta de estrutura e da ausência de fiscalização, o viaduto desativado assumiu função informal para o turismo de aventura local. Rodeada por densa vegetação, a área atrai rotineiramente ciclistas, corredores e entusiastas de modalidades extremas, seduzidos pela queda livre. Diversas iniciativas comerciais promovem eventos no local, vendendo a experiência de um salto imersivo em meio à natureza.
Contudo, a estrutura guarda um histórico recente de acidentes graves. Em abril de 2024, uma ciclista faleceu ao cair da beirada do viaduto enquanto passeava com um grupo de amigos. Meses antes, em agosto do ano passado, outras duas mulheres já haviam sofrido lesões severas na mesma área, evidenciando o perigo constante que ronda os visitantes da ponte inacabada.
A mecânica do acidente mais recente foi registrada em vídeos que circulam nas redes sociais, revelando detalhes angustiantes da ocorrência. Nas imagens, três indivíduos carregam a vítima até a borda da plataforma e a arremessam para o vazio, enquanto a corda de contenção permanece visivelmente esquecida no chão. Imediatamente após o salto, testemunhas em pânico começam a gritar, alertando desesperadamente sobre a ausência da amarração essencial.
Após o ocorrido, as autoridades policiais conduziram seis pessoas à delegacia, mantendo três delas detidas: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra. O trio de instrutores agora responde acusação de homicídio com dolo eventual. Neste caso, os suspeitos teriam assumido o risco de produzir a morte ao negligenciar checagens primárias antes do salto.
A delegada responsável pelo caso, Andréa Dantas Levy, destacou que não havia uma empresa formal e regulamentada por trás do evento, mas apenas um grupo autônomo. Segundo a investigadora, os organizadores operavam sob o manto de marcas informais, como "Ih voei" e "Entre cordas", cujos perfis na internet foram rapidamente deletados. A defesa do trio, por sua vez, alega vasta experiência no setor e argumenta tratar-se da primeira fatalidade em sua trajetória.
O Executivo municipal de Limeira declarou publicamente que acionará o Governo Federal na Justiça, acusando a União de omissão contínua. Segundo a prefeitura, o controle de acesso e a manutenção daquele espaço pertencem exclusivamente à alçada federal, que teria ignorado múltiplos pedidos de interdição.
"Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", declarou o prefeito Murilo Félix.
A gestão local reitera que diversas medidas administrativas vêm sendo cobradas. Após o óbito da ciclista no início do ano, o acesso chegou a ser temporariamente bloqueado a pedido da Superintendência do Patrimônio da União, que também exigiu placas de advertência. No entanto, o local foi reaberto posteriormente, após pressão de empresários locais junto à Câmara Municipal para que as atividades radicais não fossem interrompidas.
Formada em Educação Física e residente na cidade de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda costumava documentar sua rotina de treinos e o seu contato com a natureza na internet. Em seus registros finais, ela chegou a filmar uma placa fixada na área que advertia categoricamente sobre o "risco de morte".
