Iranianos anseiam pelo fim da guerra e incertezas

Iranianos anseiam pelo fim da guerra e incertezas

Incertezas no Irã

Moradores de Teerã e outras cidades da nação persa relatam temores com bombardeios e com o limbo em que a relação atual com os americanos deixou o país.


Oscilação entre Guerra e Paz: Irã Vive Incerteza com EUA. Os iranianos vivem em um ciclo de tensão e alívio devido às ameaças de guerra entre EUA e Irã. O presidente Trump alterna entre promessas de ataques e negociações de paz, deixando a população em um estado de incerteza emocional. A oscilação nas relações internacionais afeta a economia local, aumentando a ansiedade entre os cidadãos que desejam um desfecho definitivo para o conflito.


Por dias, os iranianos foram dormir ouvindo sons de explosões ou notícias de que o país e os Estados Unidos estavam trocando ataques, e acordaram com relatos de que os ataques tinham terminado e que as negociações de um acordo de paz estavam em andamento. Na quinta-feira, o pêndulo voltou a oscilar de forma extrema — tudo em questão de poucas horas.


Indecisão: Calma tensa toma região do Golfo enquanto EUA falam em avanços com o Irã e fontes citam preparativos para assinatura de acordo. Plano arriscado: Tomada da Ilha de Kharg oferece riscos consideráveis a tropas americanas enquanto Irã se prepara para ataque terrestre.


Primeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atingir o Irã "MUITO DURAMENTE" e assumir o controle da Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país. Em seguida, cancelou abruptamente os ataques porque, segundo ele, havia ocorrido progresso nas negociações. Entre as duas declarações, as Forças Armadas iranianas ameaçaram retaliar contra infraestruturas energéticas da região caso fossem atacadas.


Para os iranianos comuns, essa constante alternância entre medo e alívio, ansiedade e esperança, tem sido emocionalmente desgastante. Em entrevistas por telefone e mensagens de texto, alguns disseram que apenas desejavam que a guerra terminasse, de uma forma ou de outra.


— Eles entram em guerra à noite, param a guerra pela manhã; tudo isso é ridículo — disse Vahid, um morador de Teerã de 37 anos que, como a maioria dos iranianos comuns entrevistados, pediu que seu sobrenome não fosse divulgado por medo de represálias. — Ou lutem ou não lutem. Estamos fartos.


Na quinta-feira, multidões deixaram Teerã após as ameaças de Trump. As três principais rodovias que seguem para o norte da cidade, em direção ao litoral do Mar Cáspio, ficaram congestionadas, informou o vice-chefe da polícia à imprensa local.


Reza, um gerente de empresa de 48 anos, e sua esposa decidiram fazer uma viagem de fim de semana para o norte e aguardar o desenrolar da mais recente onda de tensões, disse ele em entrevista por telefone. Segundo Reza, eles temiam que os Estados Unidos pudessem atingir infraestruturas civis — preocupação alimentada por um ataque recente no sul do país que destruiu uma instalação destinada ao abastecimento de água potável.


Guga Chacra: EUA e Irã, entre um acordo e o abismo.


— O trabalho está muito lento, os negócios estão paralisados por causa da oscilação dos preços. Parece que nossa vida está em suspenso neste momento — disse Reza.


Além das preocupações com a própria segurança em caso de novos confrontos de alta intensidade, os iranianos entrevistados disseram temer que a economia entre em colapso ainda maior se o conflito continuar no atual impasse. Eles afirmam que, se os ataques de retaliação mútua se tornarem a norma e o bloqueio naval aos portos iranianos continuar, a vida cotidiana ficará ainda mais difícil.


Em sua publicação anunciando o cancelamento dos ataques planejados para quinta, Trump afirmou que o bloqueio permaneceria "totalmente em vigor" até que um acordo fosse alcançado.


Mahasti, uma moradora de Teerã de 65 anos que trabalha no setor de saúde, disse que isso era tão ruim quanto o lançamento de bombas, pois as interrupções no comércio e a redução das receitas do petróleo iraniano estavam deteriorando gradualmente a qualidade de vida de muitos cidadãos.


— Nossa vida está ficando cada vez mais difícil a cada dia — afirmou. — Se não é guerra, são sanções ou bloqueio. Sempre há alguma coisa.


Alguns recorreram às redes sociais para desabafar. Iman Vaghefi, sociólogo em Teerã, escreveu nas redes sociais, após os ataques da noite de quarta-feira, que havia vivido em um estado de "ansiedade e suspense" nos últimos seis meses. "Mais uma noite de terror e apreensão causada pelo ataque e pelas explosões", escreveu.


O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu que a situação atual não era sustentável durante um discurso em uma cerimônia que homenageava o falecido líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.


— Precisamos sair desta situação de nem guerra nem paz. A guerra definitivamente não beneficia o país — disse ele, acrescentando, porém, que a agressão militar não faria o Irã se render.


Aumentando ainda mais a confusão entre os iranianos, Trump afirmou novamente na tarde de quinta-feira que um acordo estava próximo, dizendo que poderia ser assinado "talvez durante o fim de semana, na Europa". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que Teerã ainda não havia chegado a "uma conclusão final sobre o acordo".