Estudante apresenta app inovador para Tim Cook na Califórnia
09/06/2026, 10:47:05
Um jovem destaque no WWDC
Nesta semana, alguns dos principais programadores do mundo se reuniram na Califórnia para o WWDC, um evento anual promovido pela Apple focado nesses profissionais. Neste ano, um estudante de Brasília se destacou ao apresentar seu aplicativo para Tim Cook e John Ternus, respectivamente o atual e o futuro CEO da Apple.
Marcos Albuquerque, estudante do terceiro ano de ciência da computação na Universidade Católica de Brasília, lançou em fevereiro o app Say Cheese!, um jogo que tem como premissa a exploração do mundo por meio das lentes de uma câmera fotográfica. Ele foi criado como um dos projetos de Marcos na Apple Developer Academy, um programa global da companhia que incentiva jovens programadores a criarem software para suas plataformas.
A proposta do aplicativo
O jogo é sobre a história da minha vida e mostra como a fotografia pode mudar a vida das pessoas. Eu era uma pessoa muito tímida e a fotografia foi um meio para que eu me tornasse uma pessoa mais conectada, que se relaciona melhor com os outros — disse ele ao GLOBO.
Say Cheese! chamou a atenção da Apple, que elegeu o trabalho como um dos 50 projetos de destaque no mundo, o que rendeu o convite para visitar o Apple Park nesta semana. Mas o reconhecimento foi ainda mais significativo: o estudante foi um dos oito convidados para apresentar o projeto para os executivos da empresa. O que ele não imaginava é que isso renderia um encontro com o CEO mais longevo da história da companhia e com o novo comandante, que assume a direção em setembro.
Um momento inesperado
A aparição da dupla foi uma surpresa para os jovens programadores, que apresentaram seus trabalhos no domingo (7). Marcos foi o primeiro do dia a mostrar seu aplicativo.
— Eu já estava nervoso para a apresentação por conta do inglês. Quando olho para o lado, estavam Tim Cook e John Ternus. Eu estava quase desmaiando, mas eles quebraram o gelo e deu tudo certo.
A visão de Tim Cook
Ao GLOBO, Cook comentou o que chamou a atenção no projeto do brasileiro:
— Adorei a forma como Marcos transformou sua paixão pela fotografia em um aplicativo que ensina as pessoas a registrar o mundo ao seu redor de maneiras criativas. Temos orgulho da forma como a Apple Developer Academy no Brasil ajuda estudantes apaixonados como Marcos a dar vida às suas ideias. E é incrível ver desenvolvedores de todo o Brasil descobrindo seu talento e criatividade para criar experiências poderosas para usuários em todo o mundo.
Marcos, que sonha em um dia trabalhar na Apple, conta que recebeu palavras de incentivo do atual chefão da companhia:
— Ele falou para a gente se dedicar sempre para solucionar problemas do mundo.
Mais Brasil em destaque
Entre os 50 projetos globais da Apple Developer Academy, apenas outro é brasileiro. Nesta semana, o estudante Antônio Paes, 24, também participou do WWDC por conta do seu aplicativo Juru, que ajuda pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA) a se comunicar por gestos faciais, que são transformados em texto e voz em um iPad.
Estudante de ciência da computação na CESAR School, em Recife, o pernambucano contou ao GLOBO que uma situação muito próxima envolvendo ELA ajudou a inspirar a criação do app:
— O tio de uma amiga atingiu um estágio no qual não tem mais a fala, só os movimentos do rosto. Além disso, no Brasil, é extremamente caro comprar equipamentos especializados e as famílias dependem de um profissional para calibrar esses equipamentos.
Paes afirma que sua solução torna a comunicação mais acessível, já que é compatível com o chip A16 Bionic, presente no iPad mais barato lançado em 2025, que pode ser encontrado no varejo por valores entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Pelas suas estimativas, aparelhos profissionais que auxiliam na comunicação de portadores de ELA podem ultrapassar R$ 20 mil.
— Peguei essa ideia e tentei disponibilizar para a maior quantidade possível de pessoas.
