Empate técnico entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez no Peru
08/06/2026, 03:26:02
Empate técnico nas eleições presidenciais no Peru
A candidata de direita Keiko Fujimori lidera ligeiramente as pesquisas de boca de urna contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez, antes do segundo turno das eleições presidenciais deste domingo no Peru, marcado por instabilidade política e criminalidade. Fujimori obteve 50,7% dos votos, contra 49,3% de Sánchez, segundo a empresa de pesquisas Ipsos; e 50,5% contra 49,5%, segundo o Datum, indicando um empate técnico.
O Peru vai às urnas neste domingo com uma economia estável após uma década de turbulência política. No segundo turno das eleições de 2021, Keiko começou vencendo por 0,6 ponto percentual, mas acabou perdendo para Pedro Castillo. Agora, em sua quarta tentativa de conseguir a presidência, ela enfrenta um adversário que ganhou força nas últimas semanas. Renzo Masa, um estudante de 23 anos, destacou a crise: "Temos que escolher entre o \"mal menor\", a história está se repetindo. Estamos em uma crise que já dura mais de uma década".
Após um número recorde de presidentes eleitos desde 2016, cerca de 27 milhões de eleitores devem escolher um presidente para um mandato de cinco anos, o nono presidente em uma década. As urnas fecharam às 17h, horário local (19h de Brasília), após um dia sem grandes incidentes, ao contrário do primeiro turno, que foi caótico, marcado por falhas técnicas e alegações de fraude.
Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela para o legado ambivalente de seu pai, que estabilizou a economia, mas foi acusado de crimes contra a humanidade. Já Sánchez, um congressista de 57 anos, defende a herança camponesa do ex-presidente Pedro Castillo. Como demonstração de lealdade, Sánchez aguardou os resultados da pesquisa de boca de urna na prisão, onde seu mentor está encarcerado, a quem prometeu conceder indulto.
A disputa e suas consequências
Ambos os candidatos votaram na zona leste de Lima, e as opiniões são polarizadas. "Temos grandes esperanças", afirmou Sánchez, enquanto Fujimori alertou para o "perigo do comunismo". A percepção de que essa eleição é uma escolha entre ordem e retrocesso permeia as falas dos eleitores. Alguns, como Luis Bernaola, um técnico em eletrônica de 44 anos, comentou: "Votei na Keiko porque ela representa a estabilidade. Infelizmente, não lhe demos a oportunidade de governar".
Sánchez tem moderado sua retórica, querendo estabelecer relações respeitosas com Washington, enquanto Fujimori mantém uma postura mais rígida, prometendo uma abordagem de linha-dura diante da criminalidade e extorsão, que se tornaram a principal preocupação dos peruanos. A insegurança é uma questão crítica, especialmente em áreas de Lima, onde a taxa de homicídios cresceu enormemente.
O futuro presidente herdará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4% e baixa inflação, mas com um cenário de desconfiança entre a população em relação às instituições. Tanto Fujimori quanto Sánchez prometem posturas firmes de governança em um contexto sociopolítico incerto.
