Trabalhadores rurais imigrantes são queimados vivos na Itália
04/06/2026, 16:35:03
Crime chocante na Calábria
Quatro trabalhadores rurais imigrantes morreram queimados vivos dentro de uma van na região da Calábria, no sul da Itália, em um crime que chocou o país e reacendeu as discussões sobre a exploração de mão de obra estrangeira no campo. O ataque ocorreu na segunda-feira (1), na área de serviço da cidade de Amendolara, às margens da rodovia estatal 106, conhecida como Jônica. Dois cidadãos paquistaneses foram detidos menos de 24 horas depois, acusados dos homicídios, segundo o jornal italiano Corriere della Sera.
As vítimas eram três afegãos e um paquistanês que trabalhavam na agricultura da região. Um quinto ocupante do veículo conseguiu escapar com queimaduras e sobreviveu. Segundo relatos divulgados pela imprensa italiana, ele afirmou que os suspeitos forneciam apenas alimentação e moradia aos trabalhadores, sem efetuar os pagamentos devidos.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela investigação mostram dois homens bloqueando as portas do veículo pelo lado de fora enquanto um líquido inflamável era lançado pela parte traseira do automóvel. Em seguida, o carro foi incendiado. As gravações foram decisivas para a prisão dos suspeitos.
De acordo com o site Euronews, os detidos foram identificados como Safeer Ahmed e Ali Raza, ambos de 31 anos. Eles respondem por homicídio múltiplo com diversos agravantes.
Sobrevivente e seus relatos
O único sobrevivente do ataque, Taj Mohammad Alamyar, cidadão afegão, relatou às autoridades que os trabalhadores eram submetidos a condições de exploração e intimidação. Em entrevistas reproduzidas pela imprensa europeia, ele afirmou que os migrantes eram ameaçados e trabalhavam sem receber salários, situação que teria provocado conflitos com os suspeitos. Segundo o jornal The Independent, as vítimas teriam discutido sobre salários atrasados, já que não recebiam pagamento desde 20 de abril pelo trabalho de colheita de frutas.
Reação das autoridades
A primeira ministra Giorgia Meloni, que se posiciona por regras mais rigorosas para a migração na Europa, foi às redes sociais para se solidarizar com as famílias. "O horrível assassinato dos quatro trabalhadores rurais na Calábria chocou a todos nós. A notícia das primeiras detenções, tornadas possíveis também graças aos elementos prontamente coletados pelos investigadores por meio do sistema de videovigilância da área onde os fatos ocorreram, representa um passo importante em direção ao esclarecimento da verdade e das responsabilidades. Meu pensamento vai às vítimas e aos seus familiares. A Itália não recua diante da violência e da barbárie: é fundamental lançar plena luz sobre esse terrível crime e levar todos os responsáveis à justiça", escreveu ela.
O caso também voltou a colocar em evidência o chamado caporalato, sistema ilegal de recrutamento de mão de obra amplamente associado à exploração de trabalhadores rurais na Itália. Segundo dados citados pela Euronews, ao menos 230 mil trabalhadores agrícolas no país sofrem algum tipo de exploração laboral, o equivalente a cerca de um em cada quatro empregados do setor.
