Consulta com quiropraxista: riscos e benefícios a considerar

Consulta com quiropraxista: riscos e benefícios a considerar

A quiropraxia: uma introdução

Houve um tempo em que os quiropratas (também conhecidos como quiropraxistas ou quiropráticos) eram considerados charlatães modernos. Essa reputação pode ter alguma relação com o fundador da profissão, D.D. Palmer, que alegava ter curado a surdez de um zelador recolocando uma vértebra do pescoço no lugar no final do século XIX. Desde então, a profissão se tornou mais comum: aproximadamente 11% dos adultos americanos consultaram um quiroprata em 2022, principalmente para o controle da dor. O atendimento quiroprático é oferecido por muitos dos principais sistemas de saúde do país. As diretrizes nacionais para dor nas costas frequentemente reconhecem os ajustes de quiropraxia como tratamento de primeira linha. Ainda assim, a profissão não se desfez completamente de suas raízes antissistema, nem se livrou totalmente da reputação de se afastar da ciência. Alguns quiropraxistas prometem resultados quase milagrosos para doenças com tratamentos que não são comprovados cientificamente. Outros vendem suplementos caros com benefícios não comprovados. (A Associação Americana de Quiropraxia afirma que uma minoria de profissionais se desvia das práticas baseadas em evidências, embora críticos da área digam que isso é mais comum).

Qualificação dos quiropratas

Embora os quiropraxistas frequentemente se autodenominem doutores, sua formação é diferente da de um médico. Para exercer a profissão, os quiropraxista geralmente frequentam um programa de quatro anos a cinco anos, no qual cursam disciplinas de ciências básicas, estilo de vida e aconselhamento nutricional. Eles também aprendem a realizar ajustes manuais, que envolvem aplicar pressão nas articulações e alongar profundamente os pequenos músculos que conectam as vértebras da coluna, explica William Lauretti, professor de terapias quiropráticas integradas no Northeast College of Health Sciences e porta-voz da Associação Americana de Quiropraxia. (O estalo ouvido durante este ajuste é resultado da liberação de gás do líquido que envolve as articulações. Embora seja satisfatório, Lauretti afirmou que o som não é o objetivo do ajuste.)

Limites da prática quiroprática

O que os quiropraxistas podem ou não fazer depende de onde atuam. Em alguns estados dos Estados Unidos, por exemplo, eles têm permissão legal para realizar partos e pequenas cirurgias. No Brasil, é diferente: eles não podem realizar cirurgias nem prescrever medicamentos. Muitas seguradoras cobrem serviços oferecidos por quiropráticos, incluindo ajustes, aconselhamento nutricional e radiografias, mas isso varia bastante.

Evidências científicas e eficácia

Há evidências científicas sólidas de que a quiropraxia é eficaz? Quiropraxistas anunciam seus serviços para uma ampla gama de condições: dor nas costas, artrite, diabetes, asma e infecções de ouvido. Mas o que as pesquisas dizem sobre a eficácia dos tratamentos quiropráticos nem sempre corresponde à realidade. Há evidências robustas que demonstram que os ajustes quiropráticos podem ser de leve a moderadamente eficazes no controle da dor lombar, afirma Christine Goertz, professora de pesquisa musculoesquelética no Duke Clinical Research Institute e quiropraxista licenciada. Uma análise de 47 ensaios clínicos randomizados — frequentemente considerados o padrão ouro das evidências científicas — determinou que a manipulação manual é tão eficaz quanto tratamentos como acupuntura ou massagem terapêutica. Os riscos de efeitos colaterais são baixos em comparação com algumas outras intervenções comuns, como medicamentos anti-inflamatórios e injeções de corticosteroides. Fraturas ou outras complicações graves decorrentes da manipulação da coluna vertebral são possíveis, mas raras, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 2 milhões de manipulações, de acordo com um estudo. Por esse motivo, a manipulação da coluna vertebral é frequentemente recomendada como tratamento de primeira linha para dor lombar, inclusive em diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA. — É pelo menos tão bom quanto, ou talvez um pouco melhor do que outras opções de tratamento para dor lombar — diz Goertz.

Considerações sobre a dor no pescoço

Há menos evidências que apoiem o uso do tratamento quiroprático para dor no pescoço. Uma revisão de seis estudos constatou que os ajustes quiropráticos melhoraram a dor aguda no pescoço. No entanto, os pesquisadores observaram que mais pesquisas são necessárias para chegar a uma conclusão definitiva, uma vez que muitos dos estudos tinham apenas um pequeno número de participantes e outras limitações. Alguns médicos desaconselham a manipulação do pescoço devido ao risco potencial de dissecção arterial, na qual os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro se rompem. Isso pode levar a um acidente vascular cerebral ou à morte. Algumas análises sugeriram uma associação entre ajustes no pescoço e essa lesão, mas não está claro se existe uma relação causal.

Procurando um quiropraxista

O que você deve procurar em um quiropraxista? Enquanto alguns quiropraxistas seguem rigorosamente sua formação e oferecem cuidados respaldados por pesquisas científicas, outros se inclinam para tratamentos não comprovados. — Nós tendemos a ser muito mais, digamos, diversificados do que a maioria das outras áreas da saúde — avalia Lauretti. Se você está procurando um quiropraxista baseado em evidências, comece avaliando os tipos de declarações que o profissional faz em seu site ou em anúncios. Alegações de curas milagrosas devem soar o alarme, especialmente se prometerem tratar problemas que não sejam musculoesqueléticos. Embora alguns pacientes precisem de cuidados contínuos, Lauretti afirma que é um sinal de alerta se um quiropraxista tentar lhe oferecer uma assinatura ou uma série de consultas já na primeira visita. Alguns profissionais vendem seus próprios suplementos ou remédios fitoterápicos diretamente aos pacientes. Isso não é necessariamente um problema, diz Lauretti. Por exemplo, ele às vezes recomenda comprimidos de cálcio aos pacientes para protegê-los contra a osteoporose. Mas você deve desconfiar de comprimidos caros com supostos benefícios que parecem bons demais para ser verdade.