Desafio da Adoção de Crianças Acima de 8 Anos

Desafio da Adoção de Crianças Acima de 8 Anos

Dia Nacional da Adoção: Um Chamado à Ação

Mais de 36 mil crianças e adolescentes vivem em casas de acolhimento no Brasil. Contudo, cerca de 6 mil estão prontas para serem adotadas, mesmo com mais de 32 mil famílias registradas para adotar. Esta segunda-feira (25) é o Dia Nacional da Adoção, e um dos maiores desafios enfrentados por nossa sociedade é aumentar o número de adoções de crianças com mais de 8 anos.

Quando uma criança chega a uma nova casa, tudo muda. A rotina, o silêncio, e o sentido das coisas se transformam. “Essa relação é uma construção. Você pensa que você já amou o limite do que é possível e esse limite se alarga e vai passando, vai passando”, afirma o médico Arthur Aguiar, refletindo sobre a experiência da adoção.

Essa realidade foi sentida pelo casal Aslan Cabral e Arthur Aguiar, que acolheram seu filho Guilherme. Para eles, a adoção representa um encontro entre o desejo de cuidar e a necessidade de ser cuidado. Aslan destaca que “adotar é cuidar, é estar ali sempre. Não é só porque você fez a criança ou levou a criança para casa que você é pai, mãe. Você é pai no dia a dia. Você vai ter que ler, você vai ter que estudar. Isso é a parentalidade na prática”.

Infelizmente, nem todas as histórias de adoção têm um final feliz. Hoje, muitos jovens permanecem em abrigos, pois não conseguem retornar para suas famílias ou encontrar um lar adotivo. “Vão ser feitos os esforços para permitir o retorno, que é o que nós chamamos de reintegração familiar”, explica o juiz Ricardo de Sá Leitão, que também alerta: “a maior parte das crianças estão aguardando que as intervenções da Justiça e da chamada rede de garantia de direitos deem certo”.

O processo de adoção é rigoroso, e é necessário considerar o tempo da Justiça, o tempo das famílias, e, principalmente, o tempo da criança. Com o passar dos anos, muitos meninos e meninas que vivem em abrigos continuam crescendo sem uma família. A cada aniversário longe de um lar, suas chances de adoção diminuem.

A maior parte das pessoas interessadas em adotar têm uma preferência por bebês, sem irmãos e sem problemas de saúde. Como resultado, “com a preferência por crianças menores, a gente acaba tendo muitas crianças na faixa etária de 9, 10, 11, 12, 13 anos que têm dificuldade de encontrar um lar adotivo”, afirma Liliam Cavalcanti, assistente social da Prefeitura do Recife.

Além disso, a adoção de crianças com deficiência também encontra barreiras, mas há um avanço em como a sociedade percebe essa questão. O juiz Ricardo de Sá Leitão argumenta que “a adoção é como se fosse uma gestação que é feita no coração”, referindo-se ao vínculo emocional que se forma entre adotantes e adotados.

Diego e Andréia, que já têm dois filhos, acolheram um menino em sua casa como um lar provisório enquanto aguardam a decisão judicial. Para eles, a experiência é repleta de afeto, mesmo sem a promessa de permanência. Andréia comenta que “o que nossos filhos fazem, ele faz também. Escola, tudo igual.” Diego complementa que “o que nossos recebem sim, ele também recebe. O não que nossos recebem, ele também recebe.”

Essa família reconhece a importância de seu papel na vida dessas crianças, optando por acolhê-las. Diogo expressa que “optamos por acolhimento para poder dar o que nós damos aos nossos filhos ao próximo.”

É fundamental que a sociedade se una em torno desse tema, buscando meios e soluções para que mais crianças possam encontrar um lar acolhedor e amoroso. O Dia Nacional da Adoção é um lembrete desse compromisso social e da necessidade de aumentar o número de adoções de crianças acima de 8 anos.