UFRJ precisa de R$ 1,27 bi para recuperar seus prédios

UFRJ precisa de R$ 1,27 bi para recuperar seus prédios

UFRJ em Situação Crítica

Dados do Escritório Técnico da UFRJ revelam que são necessários R$ 1,27 bilhão para recuperar 90% dos prédios da universidade. O estudo, atualizado a pedido da reitoria, mapeou 142 edificações, muitas em estado "muito ruim". A busca por recursos inclui propostas para captação de verbas federais e iniciativas como o Procel Energia Zero. A maioria dos prédios tem mais de 40 anos, exigindo altos investimentos para preservação.

Um levantamento do Escritório Técnico da UFRJ revela que seriam necessários R$ 1,27 bilhão para a recuperação completa de 90,3% das edificações da UFRJ, o equivalente a 142 prédios. Para chegar a 100%, a análise deve se estender, ainda neste semestre, a blocos como o do Centro de Ciências da Saúde (CCS), um dos maiores da universidade. O montante apontado pelo levantamento corresponde ao triplo do orçamento discricionário da universidade, de R$ 406 milhões anuais, recursos que são direcionados para despesas como manutenção, segurança patrimonial, água e esgoto.

Batizado de Programa de Avaliação de Reabilitação dos Bens Imóveis (REAB), o estudo classifica o estado das unidades, conforme seu nível de conservação, como “novo”, “muito bom”, “bom”, “regular”, “ruim” ou “muito ruim”. Também são apontadas aquelas que necessitam de “reparos importantes”.

A Reitoria e Ações para Recuperação

A Reitoria da UFRJ trocou o JMM por uma construção moderna, também na Cidade Universitária, e parte do espaço que ocupava, recuperada após o incêndio, passou a abrigar os ateliês de pintura e desenho da EBA que ficavam no térreo do prédio — também interditado por necessidade de obras. A lista das unidades da universidade consideradas “muito ruins” inclui o Instituto de Matemática, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), também na Cidade Universitária, o Palácio Universitário, na Praia Vermelha, e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo de São Francisco de Paula, no Centro do Rio.

Após visita ao Ministério da Educação, nesta semana, o reitor Roberto Medronho voltou de Brasília com a promessa do ministro Leonardo Barchini de enviar R$ 6,5 milhões para a modernização da rede elétrica, antiga e cheia de gambiarras. A parte hidráulica também apresenta problemas e é necessária a recuperação da estrutura física, estimada em R$ 32 milhões.

Busca por Recursos e Conclusões

Na busca de verba para resolver os problemas mais imediatos, a universidade obteve outros R$ 6,5 milhões por meio do edital Procel Energia Zero, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O montante será investido na recuperação do prédio da Faculdade de Letras, que ganhará sustentabilidade energética, condição para concorrer à chamada pública. A unidade, também no Fundão, apresenta um bloco em situação regular, outro ruim e cinco necessitando de reparos urgentes, de acordo com a avaliação do REAB.

O levantamento do Escritório Técnico mostra ainda que a idade do conjunto edificado é um problema. A maioria dos prédios tem mais de 40 anos — os mais antigos foram erguidos entre as décadas de 1850 e 1960. Entre os que entraram na categoria “bom”, por exemplo, estão construções mais recentes, como as do Polo de Macaé.

O Ministério da Educação informa que desde 2023 "vem atuando para recompor o orçamento das universidades federais, após anos de restrições orçamentárias e redução de investimentos entre 2016 e 2022". O texto diz ainda que "os últimos três anos, no âmbito do PAC, foram investidos R$ 59,1 milhões de reais na UFRJ".