O imbróglio matemático das runas entre Calheiros, Lira e Gaspar

Entre Maceió, o interior e a fragmentação das oposições, a matemática das urnas indica que derrotar Renan Calheiros continua sendo tarefa mais difícil do que aparenta.

O imbróglio matemático das runas entre Calheiros, Lira e Gaspar

Neste momento pré-eleitoral em Alagoas, a grande chave ainda a ser ligada em série ou em paralelo — circuito elétrico da Física — podendo até mesmo resultar em uma ligação mista, definirá a vitória para o Governo do Estado e para o Senado, incluindo, nesse cenário, a tentativa de reeleição do senador Renan Calheiros.

As configurações apontam para uma disputa mais do que acirrada. Na verdade, sinalizam para um divisor de águas na política alagoana, tamanha a importância da decisão do eleitor.

Comecemos por Alfredo Gaspar, que pode ser candidato ao Senado contando, para tanto, com cidades como a grande Maceió, Rio Largo, Satuba, Messias, Marechal Deodoro e Pilar, que somam cerca de 808 mil eleitores, enquanto o estado inteiro possui aproximadamente 2,4 milhões de votantes.

Entende-se que, nessas cidades, Gaspar saia à frente dos demais. Projetando-se um desempenho de 300 mil votos, seria uma conta bastante favorável. Rodrigo Cunha, quando viveu o auge político em 2018, obteve cerca de 345 mil votos em Maceió e 90 mil em Arapiraca, números que, isoladamente, não o elegeriam.

Os dados mostram que, em 2018, os eleitos ao Senado foram Rodrigo Cunha, com 895 mil votos, e Renan Calheiros, com 621 mil votos. Logo, os eleitos costumam ultrapassar a casa dos 600 mil votos. Faltariam, então, para Gaspar, praticamente o dobro dos votos conquistados entre Maceió e as cidades satélites que gravitam no entorno da capital. Alfredo Gaspar precisaria sair de Maceió carregado de votos, porque, no restante do estado, a configuração muda de figura.

Considerando que o interior encontra-se amplamente fracionado entre Renan Calheiros e Arthur Lira — sendo Calheiros apoiado por cerca de oitenta prefeitos e Arthur Lira pelo restante das bases municipais, numa conta próxima da realidade —, as chances de Gaspar começam a escorrer por entre os dedos.

Com perspectivas reais de que as projeções matemáticas sigam o rito da repetição histórica dos resultados, pode-se concluir que uma vitória de Alfredo é consideravelmente mais difícil, mesmo sendo ele, atualmente, um dos nomes mais fortes nas intenções espontâneas de voto.

Caso JHC entre definitivamente nesse cenário, as chances de Alfredo diminuem ainda mais. JHC entraria forte em Maceió e também em seu entorno metropolitano.

Portanto, permanecendo a lógica linear dos números e do histórico das urnas, escrever sobre uma derrota de Renan Calheiros ainda é algo prematuro. Da mesma forma, parece antecipada a ideia de uma vitória de JHC para o Governo do Estado sem a união efetiva das forças de oposição.

Creditos: Professor Raul Rodrigues