Ronaldo Lessa e o preço da ruptura: o risco de um ocaso político anunciado
15/05/2026, 17:53:54Ao romper com aliados e apostar em uma reaproximação cercada de incertezas, vice-governador vê seu espaço encolher no complexo tabuleiro eleitoral alagoano

A política é, por essência, o terreno das articulações, das estratégias cuidadosamente calculadas e das alianças que, muitas vezes, se desfazem com a mesma rapidez com que são construídas. Em Alagoas, a mais recente movimentação envolvendo o vice-governador Ronaldo Lessa reforça uma percepção que já vinha sendo desenhada nos bastidores: a de que sua trajetória pública pode estar se encaminhando para um desfecho melancólico.
Quando este cenário foi apontado anteriormente no artigo intitulado “Ronaldo Lessa rompe alianças e surpreende ao se aproximar de JHC”, a análise não se baseava em mera especulação, mas na leitura objetiva dos movimentos do xadrez político alagoano. Hoje, os fatos parecem confirmar essa projeção.
Ao romper repentinamente com o grupo liderado por Renan Calheiros, Lessa optou por se reaproximar do ex-prefeito de Maceió, numa aliança que carrega um histórico de desconfianças. Vale lembrar que, quando ocupou a vice-prefeitura ao lado de JHC, Lessa teria enfrentado sucessivos episódios de desconforto interno, conforme relatado por analistas.
Ainda assim, a expectativa do vice-governador seria ocupar posição de relevância na chapa majoritária que vem sendo costurada. O problema é que, nos bastidores, o desenho político aponta para outro rumo.
As articulações indicam que JHC tem preferência pelo nome do deputado federal Alfredo Gaspar para compor como vice. Contudo, Gaspar também demonstra ambições mais elevadas, cogitando disputar uma vaga no Senado ou até mesmo no Palácio República dos Palmares. Uma pretensão que, embora legítima, esbarra na realidade de sua densidade eleitoral, ainda distante da musculatura política demonstrada por nomes como Renan Calheiros e Arthur Lira.
Ao abandonar uma base consolidada para apostar em uma composição incerta, Lessa corre o risco de se tornar coadjuvante onde já ocupou papel central. E, se o atual roteiro político se mantiver, a trajetória de uma das figuras históricas da política alagoana poderá se encaminhar para um mergulho no ostracismo político.
