Banquete de Estado entre Trump e Xi destaca luxo e cooperação
14/05/2026, 10:27:11
O governo chinês sediou um jantar de gala com o presidente dos EUA e sua delegação, que está em visita oficial em Pequim. Em discursos no evento, os dois líderes falaram em promessas de parceria entre seus países.
O banquete de Estado oferecido pelo governo de Xi Jinping ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à sua comitiva nesta quinta-feira (14) foi recheado de gala e luxo, com direito a decorações elaboradas de jardins chineses nas mesas e louça de luxo.
As mesas do banquete estavam feitas com talheres e protetores de pratos dourados, e tinham uma detalhada decoração de jardim chinês, com artes de lago, grama e animais. Diversas autoridades do governo dos EUA e CEOs de empresas norte-americanas também estavam presentes no banquete. Segundo imagens de agências do evento, Elon Musk, dono da Tesla e aliado de Trump, foi um dos mais "tietados" pelos presentes. Ele tirou foto com ao menos três pessoas, entre elas o CEO da Xiaomi, companhia chinesa produtora de smartphones. O secretário de Estado, Marco Rubio, também foi abordado para tirar foto.
Trump e Xi discursaram na abertura do banquete. Eles pregaram maior cooperação entre os EUA e a China, e disseram que a relação bilateral entre os dois países é a "mais importante do mundo". Xi disse também que as nações podem andar lado a lado, e Trump o convidou para uma visita oficial em Washington em setembro.
O presidente da China, Xi Jinping, ofereceu um banquete para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (14). Os dois trocaram elogios e promessas de parceria entre seus países. O anfitrião falou primeiro e chamou a visita de Trump a Pequim de "histórica". Contou que ele e o norte-americano tiveram uma "troca de opiniões profundas" antes do jantar e que ambos acreditam que a relação bilateral entre EUA e China é a mais importante do mundo.
"O rejuvenescimento da China e o lema 'Tornar a América Grande Novamente' podem caminhar juntos. China e Estados Unidos devem ser parceiros, não rivais. Respeito mútuo é fundamental para relações estáveis entre nossos países. Devemos trabalhar em conjunto para conduzir as relações China-EUA pelo caminho correto", afirmou Xi Jinping.
Depois da fala de Xi, foi a vez de Trump adotam um discurso conciliador. O presidente dos EUA chamou o líder chinês de "amigo" e anunciou que o convidou para uma visita oficial aos EUA no dia 24 de setembro. "Tivemos discussões extremamente positivas e construtivas. A relação entre Estados Unidos e China é uma das mais importantes da história mundial. Temos a chance de criar um futuro de maior cooperação e prosperidade", defendeu o republicano.
A Casa Branca definiu a reunião entre Trump e Xi como "boa". Mais cedo, nesta quinta, a Casa Branca afirmou em comunicado que a reunião entre Trump e Xi Jinping foi "boa" e que eles discutiram questões econômicas e geopolíticas. Algo notório é que um documento não mencionou a questão de Taiwan.
“O presidente Trump teve uma boa reunião com o presidente Xi, da China. Os dois lados discutiram formas de ampliar a cooperação econômica”, disse a Casa Branca em comunicado que descreveu como foi o encontro entre Trump e Xi, que durou pouco mais de 2h.
O texto, no entanto, não mencionou discussões sobre Taiwan, o que contrasta a versão do governo chinês sobre a reunião. Segundo a agência chinesa Xingua, Xi alertou a Trump para o risco de um "conflito" entre EUA e China caso a questão da ilha asiática não seja conduzida de forma adequada pelos dois países. "Xi Jinping destacou a Trump que a questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações China-EUA. (...) O lado americano deve tratar a questão de Taiwan com a máxima prudência", afirmou nesta quarta Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
O fato de não haver qualquer referência a Taiwan no comunicado oficial dos EUA é notório porque Washington e Pequim travam uma disputa silenciosa e de palavras no âmbito diplomático sobre a ilha asiática. Nessa disputa, os termos utilizados e a menção ou não da questão em documentos oficiais pode ter uma repercussão futura em ações de ambos os países.
Taiwan é uma ilha no mar da China a cerca de 180 km do território chinês e tem um governo próprio. No entanto, Pequim quer anexar a ilha a seu país e pressiona países do mundo a não reconhecê-la como uma nação independente. Por conta disso, Taiwan é uma das questões mais sensíveis para o governo Xi.
O comunicado da Casa Branca disse também que Trump e Xi concordaram que o Irã nunca pode ter uma arma nuclear e que o Estreito de Ormuz —canal que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo, fechado pelo Irã desde o final de fevereiro por conta da guerra— "precisa continuar aberto". A China é um dos principais aliados do regime iraniano. Ainda segundo a Casa Branca, Trump e Xi discutiram caminhos para aumentar a cooperação econômica entre os dois países e reduzir a entrada nos EUA de matéria-prima precursora para produção do fentanil.
A reunião entre os dois líderes começou por volta das 23h, no horário de Brasília, de quarta-feira —final da manhã no horário local de Pequim. O encontro deixou as delegações dos dois países frente a frente e durou cerca de 2 horas e 15 minutos, segundo a Casa Branca. Trump foi elogioso durante o encontro com Xi: disse que os EUA têm um "futuro fantástico" com a China por conta de sua relação com o presidente chinês, a quem chamou de "amigo e grande líder". Xi, por sua vez, disse que a China e os EUA não devem ser rivais, e sim parceiros, e que a relação entre os dois países será decisiva em um momento de incerteza e de “encruzilhada” global.
Segundo o líder chinês, Xi disse que os interesses comuns de ambos os países superam as diferenças e, por isso, é necessário se esforçar para superar o que ele chamou de "armadilha de Tucídides" e forjar um novo modelo de parceria entre as duas maiores potências do mundo.
