Alfredo Gaspar mistura-se aos fardos da corrupção e abandona seu passado: Flávio Bolsonaro “homem de bem”
14/05/2026, 19:26:54Deputado alagoano troca o discurso da moralidade pela conveniência política ao se aproximar de um escândalo que atinge em cheio a imagem do senador bolsonarista

Durante anos, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça construiu sua trajetória pública apoiado em um discurso de rigor, moralidade e combate implacável à corrupção. Vestiu a toga da ética, ergueu a bandeira do “homem de bem” e tentou transformar sua imagem de ex-promotor em símbolo de intolerância contra qualquer suspeita que envolvesse adversários políticos.
Mas a política costuma cobrar coerência. E é justamente nesse terreno que Alfredo Gaspar começa a afundar quando decide caminhar ao lado de Flávio Bolsonaro, personagem cercado por investigações, denúncias e episódios que colocaram em xeque exatamente o discurso moral que o bolsonarismo tentou vender ao país durante anos.
A aproximação não é apenas eleitoral ou ideológica. É simbólica. Ao defender ou silenciar diante dos escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar abandona parte importante do personagem político que construiu perante o eleitorado alagoano. Afinal, quem passou a vida pública apontando o dedo para suspeitas não pode agora escolher contra quem a régua da moralidade deve ser aplicada.
O problema não está apenas na aliança. Está na contradição.
Quando a corrupção era associada aos adversários, havia discursos inflamados, entrevistas duras e condenações antecipadas. Agora, diante de nomes ligados ao próprio campo político, surgem cautela, silêncio e justificativas. A velha seletividade moral que tanto desgastou a política brasileira reaparece travestida de conveniência eleitoral.
O eleitor percebe quando princípios deixam de ser valores e passam a ser ferramentas de ocasião.
A imagem do “homem de bem”, tão utilizada pelo bolsonarismo para diferenciar aliados e inimigos, sofre desgaste justamente quando seus próprios representantes passam a conviver com suspeitas, investigações e episódios nebulosos. E ao se misturar a esse ambiente, Alfredo Gaspar acaba carregando também os mesmos fardos políticos que antes dizia combater.
Na prática, o deputado deixa de ocupar o papel de fiscal severo da ética para tornar-se mais um integrante de um grupo político disposto a relativizar aquilo que antes considerava imperdoável.
A política permite alianças. O que ela dificilmente perdoa é a incoerência escancarada.
E talvez seja exatamente isso que mais incomode parte do eleitorado conservador: perceber que muitos dos que prometeram combater velhas práticas acabaram apenas trocando de lado no balcão das conveniências.
