Vice-prefeito de São Paulo defende produtos Ypê após alerta da Anvisa

Vice-prefeito de São Paulo defende produtos Ypê após alerta da Anvisa

Vice-prefeito de São Paulo defende o uso de Ypê

O vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, defendeu o uso de produtos Ypê após alertas de contaminação por bactérias e a proibição da Anvisa. Ele alega uma perseguição política à empresa, enquanto a Vigilância Sanitária de SP e a Anvisa destacam falhas de higiene na fábrica. Mesmo após a Ypê recorrer, a recomendação de não usar os produtos permanece, devido à presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.

O coronel da PM Ricardo Mello Araújo publicou um vídeo nas redes sociais, afirmando: "Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados comprar produtos Ypê. Quem tem produto Ypê posta no Instagram, marca a Ypê".

Nesta semana, Mello Araújo foi preterido como aposta do PL para o Senado em São Paulo. A sigla decidiu lançar o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), para uma das vagas na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A segunda indicação ficará com Guilherme Derrite (PP), deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública do estado.

Entenda a polêmica envolvendo a Ypê

A inspeção que motivou o fechamento de uma linha de produção da fábrica da Ypê em Amparo (SP) constatou, pela segunda vez, a contaminação de produtos de limpeza com micro-organismos. Fiscais que participaram do trabalho relataram problemas de higiene e investigam a origem da contaminação da água nas instalações da empresa que produz detergentes, desinfetantes e sabão para roupa.

A fala do vice-prefeito de São Paulo segue a de outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que defendem uma suposta perseguição política contra a empresa. Em 2022, a família Beira, dona da Ypê, injetou R$ 1,5 milhão na campanha do candidato do PL.

No entanto, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), sob a administração do governo Tarcísio, manteve a orientação para que consumidores não usem produtos da Ypê, mesmo após a empresa apresentar recurso que suspendeu temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa.

Segundo o diretor da CVS-SP, Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, inicialmente constatado em novembro do ano passado. Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado, que, embora não seja altamente contagiosa, oferece risco a pessoas com baixa imunidade.

Na inspeção, foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos, com problemas documentais e de higiene nas áreas de produção. "A limpeza inadequada pode estar ligada à contaminação por Pseudomonas", disse Lara.

Não há certeza sobre como a bactéria entrou nos produtos. Em casos semelhantes ocorridos com outras empresas, o rompimento em estrutura para escoamento de esgoto havia contaminado o reservatório de água usada. Este problema não foi identificado, mas, ainda assim, o ambiente de produção era inadequado, segundo Lara.

O que diz a empresa?

Em nota, a Ypê informou que apresentou recurso à Anvisa contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação e comercialização de produtos das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. O objetivo da medida é "reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade" e apresentar "esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos" relacionados à decisão da agência.

A Ypê ainda reiterou seu "compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência", mantendo um "diálogo constante com a Anvisa e demais autoridades" e buscando "uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível".