Confusão com Ed Motta envolve advogado com histórico de importunação

Confusão com Ed Motta envolve advogado com histórico de importunação

O advogado Nicholas Guedes Coppi, apontado pela Polícia Civil como responsável por lançar uma garrafa de vinho durante a confusão envolvendo o cantor Ed Motta em um restaurante no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, já havia sido preso há cinco anos sob suspeita de importunação sexual contra um grupo de mulheres num bar em Campinas, no interior de São Paulo. Na ocasião, segundo informações publicadas pelo g1, ao menos cinco possíveis vítimas prestaram depoimento contra ele.

Ainda de acordo com o portal, à época, duas das vítimas trabalhavam como DJs no estabelecimento e relataram que o advogado apresentava sinais de embriaguez. Uma delas afirmou que ele a segurou pelo braço, beijou sua mão e depois a “encoxou” na cabine, apertando sua cintura. Outra jovem disse que o homem subiu na cabine e passou a mão em seu corpo, chegando a esfregar o pênis em suas costas.

O dono do bar pediu que o advogado deixasse o local após as denúncias, o que teria provocado uma confusão física. Em depoimento à polícia, Coppi afirmou que o ambiente “parecia uma balada” e que não acreditava ter incomodado ninguém. Ele também disse que foi confrontado por um dos sócios do estabelecimento.

Após audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória ao advogado, mediante pagamento de fiança de R$ 5 mil e com medidas cautelares, como a proibição de frequentar bares, boates e festas. E a defesa negou as acusações e afirmou, em nota divulgada ao g1, que ele “não praticou nenhuma importunação ou abuso”.

Agora, de volta ao bar em sua mesa, Ed Motta estava acompanhado de Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Quinta da Henriqueta, e de um homem que seria primo de Diogo. De acordo com a delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP, esse terceiro indivíduo, Nicholas Guedes Coppi, é quem teria lançado a garrafa e ainda desferido socos contra a vítima. Havia ainda com o cantor, mais duas mulheres e um quarto homem.

Vídeo mostra que Ed Motta se levanta e vai embora às 23h57. Dois minutos depois, seus amigos, que continuaram sentados, começam a gesticular e falar em direção a outra mesa, que não aparece nas imagens. À 0h01, uma mulher começa a falar de forma aparentemente exaltada, chega a levantar com dedo em riste e, após ser contida, senta novamente e dá um tapa na mesa.

Segundos depois, ela volta a levantar, é novamente segurada pelos companheiros, mas continua falando em direção às outras pessoas. À 0h03, um dos homens, que seria Diogo, se exalta e levanta de forma brusca, aparentemente gritando. Quarenta e cinco segundos depois, o homem que seria seu primo pega a garrafa de vinho, levanta-se da mesa e fica discutindo segurando o item na mão a todo momento. Exatamente à 0h:04:13, ele lança o recipiente, quando é chamado atenção por um garçom. Em seguida, outros funcionários tentam acalmá-lo.

O episódio é investigado pela 15ª DP (Gávea), que, nesta quinta-feira, informou que tenta identificar o autor dessas agressões, que pode responder por lesão corporal. Após o caso, a vítima, um homem de 28 anos, buscou atendimento médico no Hospital Samaritano, em Botafogo. Em seguida, dirigiu-se à delegacia.

Em depoimento, ele contou que, na madrugada de sábado para domingo, por volta da 0h, estava jantando com sua família e amigos. À sua frente, havia uma mesa com um grupo de seis pessoas (quatro homens e duas mulheres), de onde Ed Motta se levantou, derrubou uma cadeira que estava na mesa da vítima e foi embora. Em seguida, começou uma discussão entre integrantes das duas mesas. Neste momento, um homem com sotaque português se dirigiu até a vítima e o atingiu com um soco no rosto. A vítima afirma que não revidou e decidiu levantar e ir embora. Ao se encaminhar para a saída do estabelecimento, o mesmo agressor lançou uma garrafa de vidro pelas suas costas. O item atingiu o lado esquerdo de sua cabeça. Por fim, o autor das agressões e seu grupo deixaram o local.

— Depois de ouvir todos os envolvidos, vamos encaminhar esse procedimento para o Juizado Especial Criminal (Jecrim), já que lesão corporal é um crime considerado de menor potencial ofensivo. Então, o caso vai direto para o Quarto Juizado Especial Criminal, no Leblon. Crimes de menor potencial ofensivo, após as partes serem ouvidas e qualificadas, são remetidos para o Jecrim — explicou delegada.

A taxa de rolha de vinho — valor cobrado por restaurantes para servir bebida levada pelo cliente — foi o ponto de partida de um desentendimento envolvendo o cantor Ed Motta e amigos no Grado, restaurante do chef Nello Garaventa e de sua mulher, Lara Atamian, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.

O episódio, relatado inicialmente na coluna de Luciana Fróes no GLOBO, ocorreu no último sábado (2). Segundo comunicado de Garaventa e Atamian, “um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local”.

Ainda de acordo com a nota do casal, as provocações começaram após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha. O restaurante afirma que uma cadeira teria sido arremessada contra um garçom que se encontrava de costas.

Ao GLOBO por telefone, na quarta-feira, Motta reconheceu excessos, mas apresentou uma versão diferente: “Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso,” contou Motta, de 54 anos, acrescentando que, após jogar a cadeira no chão, deixou o restaurante e não estava presente quando a confusão se agravou.

Veja, abaixo, o comunicado completo dos donos do Grado sobre o caso: “Durante o atendimento no último sábado, um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local. Após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha, integrantes do grupo passaram a dirigir provocações constrangedoras à nossa equipe. As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Funcionários foram publicamente expostos ao ridículo, sem possibilidade de resposta. Na sequência, uma cadeira foi arremessada contra um garçom que se encontrava de costas. Um esbarrão provocado por Ed Motta em uma cliente de outra mesa derrubou objetos, fazendo com que a situação escalasse e as agressões passassem a atingir também esses clientes. Um deles, que estava sentado, recebeu um soco e, ao se dirigir à saída, teve uma garrafa de vinho, tamanho magnum, intencionalmente arremessada contra sua cabeça, causando sangramento imediato.

A postura firme e profissional de nossa equipe, que tentou conter as agressões utilizando o próprio corpo como escudo, foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves. Os agressores deixaram o estabelecimento antes da chegada da polícia, acompanhados por um indivíduo associado ao Sr. Diogo Coutinho do Couto, que dirigiu ameaças aos presentes e insinuou estar armado. Os episódios causaram danos físicos, emocionais e materiais relevantes. Vidas foram colocadas em risco e, por consequência, a própria continuidade do restaurante. Ainda estamos nos recuperando dos acontecimentos e buscando minimizar seus impactos negativos. Refletimos profundamente antes de tornar os fatos públicos, mas entendemos que o constrangimento e os danos decorrentes desses episódios não nos pertencem, e sim aos agressores. Decidimos não adotar o silêncio por receio reputacional. Nossa obrigação é proteger nossa casa, nossa equipe e nossos clientes, a quem devemos todo o sucesso de um restaurante construído com muito trabalho ao longo de quase uma década. Estamos prestando integral suporte jurídico e assistencial aos funcionários afetados, buscando a responsabilização dos envolvidos e a reparação dos danos causados. Permanecemos à disposição das autoridades competentes e das demais partes envolvidas para colaborar integralmente com os esclarecimentos necessários.”