Ciro Nogueira é Cobrado em Mensagens sobre Pagamentos Atrasados

Ciro Nogueira é Cobrado em Mensagens sobre Pagamentos Atrasados

A Polícia Federal investiga supostos pagamentos mensais atrasados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conforme mensagens interceptadas. O valor teria aumentado de R$ 300 mil para R$ 500 mil, com indícios de propinas ligadas ao Banco Master. Felipe, primo de Vorcaro, foi preso, acusado de integrar esquema criminoso. A defesa de Ciro Nogueira nega recebimento dos valores.

A Polícia Federal identificou mensagens em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro questiona seu primo, Felipe, sobre o atraso nos pagamentos destinados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O diálogo ainda revela um suposto aumento, de R$ 300 mil para R$ 500 mil, da mesada que era paga a uma estrutura que, segundo a PF, era vinculada ao parlamentar. A defesa do senador nega ter recebido os valores e diz que ele vai esclarecer os fatos investigados.

As mensagens obtidas pela PF foram trocadas entre Felipe e Vorcaro em janeiro do ano passado. Felipe procurou o primo para tratar do "aumento" dos pagamentos ao parceiro BRGD — uma referência, segundo a investigação, a empresa que seria usada por Ciro para o suposto recebimento de propinas pagas pelo ex-dono do Banco Master.

O operador financeiro de Vorcaro relatou "dificuldades" para seguir com os pagamentos e pede para conversar com Vorcaro. Como resposta, o ex-banqueiro afirmou que estava na Venezuela e registrou: "Resolve isso pra mim. Eu ponho dinheiro depois".

Em seguida, veio a cobrança que chamou a atenção dos investigadores: "Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro". Felipe então respondeu que tentaria "dar um jeito" na situação e questionou sobre o valor a ser transferido para o parlamentar: "Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?".

Ao pedir a prisão de Felipe, a PF citou ainda um outro diálogo entre os primos, anterior, de junho de 2024. Nele, Felipe questiona se deveria seguir com os repasses ao "pessoal da BRGD". Vorcaro responde que os recursos devem ser enviados e registra: "muito importante".

Segundo a PF, Felipe era integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa liderada por Vorcaro, responsável pela interligação entre "decisões estratégicas do núcleo central e a execução material das movimentações financeiras e societárias". Ele foi um dos alvos principais da quinta fase da Operação Compliance Zero, aberta nesta manhã. A ofensiva também mirou o senador Ciro Nogueira, indicado nas investigações como "destinatário central" de vantagens indevidas pagas pelo dono do Master. A PF cita mensagens que sugerem trocas de favores entre o senador e o executivo do banco.

Um dos indícios citados pela PF é uma emenda apresentada por Nogueira no Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que, segundo a apuração foi redigida dentro do Banco Master. De acordo com a PF, o texto foi elaborado pela assessoria da instituição financeira, encaminhado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em um envelope destinado a "Ciro" no endereço residencial do parlamentar.

A emenda citada pela PF ampliava a cobertura do FGC a investidores de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A garantia do fundo era uma das principais estratégias de negócio do Master para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A PF identificou mensagem em que Vorcaro comemora a emenda apresentada por Ciro Nogueira: "Saiu exatamente como mandei".

A proposta, apresentada por Nogueira em agosto de 2024, foi apelidada no Senado de "emenda Master" e não chegou a ser aprovada.