Pescadores pedem ações do governo após contaminação em Salvador
07/05/2026, 06:06:01
Impacto da Contaminação na Praia de São Tomé de Paripe
Há mais de dois meses, os pescadores e ambulantes da região da praia de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio de Salvador, estão impedidos de trabalhar devido a uma contaminação da praia com produtos químicos. Manchas amarelas e azuis foram observadas na faixa de areia e na água do mar. Diversos animais também foram encontrados mortos. A comunidade local, que abriga cerca de 600 famílias, denuncia a falta de ações efetivas do poder público.
Busca por Alternativas
Em entrevista ao g1, Reinaldo Jorge Cirne, presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, destacou que os pescadores têm buscado alternativas para continuar suas atividades. A entidade conta com cerca de 1200 profissionais. "Esse produto tóxico acaba com tudo, alguns pescadores estão catando lata, papelão, fazendo reciclagem para sobreviver", explicou.
Mesmo assim, a maioria não consegue vender o pescado na Feira de Paripe, devido ao receio da população em consumir produtos potencialmente contaminados. Luiz Carlos Gonçalves Campos, líder comunitário, afirmou que a situação também afeta outros trabalhadores do turismo na região.
"A praia em si já não tem movimento nenhum. O pessoal vinha, vendia seu salgado, seu peixe, sua cerveja, seu queijinho. Essas pessoas, sim, estão totalmente sem nenhum recurso", denunciou.
Apoio e Mobilização Comunitária
Para enfrentar essa crise, moradores têm organizado eventos em larga para gerar alguma renda aos comerciantes locais. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) investiga a contaminação, detectando a presença de Nitrato e Cobre.
Posicionamento das Empresas
A Intermarítima, gestora do Terminal Itapuã, alegou que não movimenta carga relacionada às substâncias encontradas. A Gerdau, antiga responsável pelo terminal, afirmou que desde 2022 não tem mais ligação com a operação do terminal.
Demandas ao Poder Público
Líderes locais relatam que as ações governamentais têm sido escassas. A última intervenção foi uma distribuição de cestas básicas realizada em abril. Os moradores juntamente com o Inema, buscam um laudo definitivo sobre as responsabilidades. "Foi uma vez só e olha há quanto tempo. E o pior não é isso: por que que não se sai o laudo técnico do Inema?", questionou Reinaldo.
Riscos à Saúde da População
As substâncias químicas encontradas representam riscos à saúde. A Secretaria Municipal de Saúde ressaltou a necessidade de evitar contato com a água da praia e o consumo de peixes da região. A SMS destacou que está monitorando casos suspeitos de intoxicação por exposição a produtos químicos e recomenda que a população busque assistência médica em caso de reações adversas.
Todos estes fatores somados reforçam a urgência de ações efetivas do governo em prol da saúde e manutenção da economia local.
