Estudo da UFPE Revela Alto Risco em Olinda Antes de Tragédia
07/05/2026, 18:01:03
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realizaram um mapeamento das áreas de risco em Olinda e Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, um ano antes do deslizamento de uma barreira no Alto da Bondade que resultou em tragédia. O estudo, divulgado em 2025, indicou que a região do Alto da Bondade, onde uma barreira deslizou e causou a morte de Bruna Karina e seu filho de 6 meses na sexta-feira (1º), apresentava um nível 4 de risco, considerado muito alto.
O levantamento, que dividiu a cidade em 241 setores, revelou que 68% desses setores – ou seja, 164 – foram classificados como áreas com potencial para deslizamentos. Além disso, 32% dos setores, totalizando 77, estão em risco de inundação. A prefeitura de Olinda garantiu que as áreas mapeadas recebem ações preventivas e que os moradores foram alertados sobre os perigos.
Como parte da pesquisa, foi elaborada uma classificação de risco, que foi integrada ao Plano Municipal de Redução de Riscos:
- 193 setores (42,75%) são de risco alto;
- 84 setores (34,85%) são considerados de risco muito alto;
- 54 setores (22,41%) têm risco médio.
O bairro do Alto da Bondade, onde ocorreu o deslizamento, ficou classificado na categoria de risco muito alto. Fabrizio Listo, um dos pesquisadores do estudo, afirmou: "A comunicação deve ser uma prática constante, desde as escolas, ao educarem em percepção de riscos e desastres aos estudantes, como ações também da gestão pública de envolver a população em simulados, planos de contingência, informar os riscos, informar sempre as atualizações dos Planos Municipais."
A tragédia foi devastadora para Bruna Karina, de 20 anos, que teve sua casa completamente destruída no deslizamento. Ela e seu bebê, Pietro Silva, foram encontrados soterrados sob os escombros. Moradores da área, junto aos bombeiros, se mobilizaram durante todo o dia na busca pelos corpos.
Outros residentes da região também enfrentaram consequências severas. O casal de idosos Joel Severiano e Cremilda Araújo, que viviam em uma casa abaixo da de Bruna, relataram suas experiências traumáticas. "Eu não lembro nada. A lembrança que eu tenho, a última, é que eu levei uma tacada como um empurrão, como se me jogasse no chão. E ali eu saí feito uma criança renascendo, engatinhando... meu sonho, um dia, é ter uma casa num lugar onde eu não me preocupe com água nem com barreira", declarou Cremilda à TV Globo.
Cremilda, que levara cortes no rosto, viu seu marido quebrar a perna em decorrência do deslizamento, enquanto eles estavam abrigados na casa de um amigo após perderem seu próprio lar. O impacto da tragédia se fez sentir em toda a comunidade, já que até mesmo as casas que estavam em áreas de risco foram interditadas e demolidas. Rosilene de Souza, uma manicure, por exemplo, teve sua residência demolida. "Eu comprei isso aqui e não me informaram que era área de risco. Eu arrisquei sem saber. Meus sonhos de construir com a minha família, com muita luta, muito sacrifício, hoje, infelizmente, eu estou vendo nessa situação", lamentou.
A prefeitura de Olinda divulgou uma nota afirmando que as áreas de risco identificadas no estudo estão recebendo ações de prevenção, como a colocação de plástico e geomanta. A Defesa Civil já iniciou a demolição de 15 casas em áreas críticas e o resultado do estudo foi levado aos moradores, que foram aconselhados a deixar as áreas de risco. No entanto, a prefeitura não esclareceu se os moradores receberam auxílio.
