Entre a política e o tribunal, o Brasil perde o rumo

Quando tudo vira disputa de poder ou ação judicial, quem paga a conta é o cidadão

Entre a política e o tribunal, o Brasil perde o rumo

O Brasil caminha perigosamente por duas trilhas que, em vez de resolver problemas, os aprofundam: a politização excessiva dos cargos públicos e a judicialização de praticamente tudo.

A primeira corrói a eficiência do Estado. Cargos que deveriam ser ocupados por critérios técnicos tornam-se moedas de troca política. O resultado é previsível: decisões frágeis, gestão ineficiente e serviços públicos que não atendem à população. Quando o mérito é substituído por conveniência, o interesse coletivo perde espaço para acordos de bastidores.

A segunda, a judicialização desenfreada, transforma o Judiciário em árbitro de todas as questões — das mais complexas às mais banais. Isso sobrecarrega os tribunais e cria uma dependência perigosa: conflitos que deveriam ser resolvidos na política, na administração ou no diálogo acabam transferidos para juízes. Não raro, decisões judiciais passam a substituir escolhas que caberiam à sociedade e seus representantes.

O efeito combinado é nocivo. De um lado, uma máquina pública enfraquecida por indicações políticas; de outro, um sistema judicial pressionado a decidir além de sua vocação. No meio disso, o cidadão assiste à ineficiência, à demora e à falta de soluções concretas.

O país precisa reencontrar o equilíbrio: política com responsabilidade e técnica na gestão; Judiciário forte, porém não sobrecarregado. Fora disso, seguimos presos entre interesses e sentenças — e longe das respostas que o Brasil tanto precisa.

Creditos: Professor Raul Rodrigues