O poder de Davi Alcolumbre em alta: quando uma CPI nasce morta

O caso Banco Master revela como a política decide o destino das investigações antes mesmo de começarem

O poder de Davi Alcolumbre em alta: quando uma CPI nasce morta

O escândalo do Banco Master reúne todos os elementos para uma tempestade perfeita: bilhões sob suspeita, conexões com altas esferas do poder e pressão popular por respostas. Ainda assim, o que deveria resultar em investigação parlamentar robusta caminha para o oposto — uma CPI natimorta.

E isso não é obra do acaso. É método.

No centro desse tabuleiro está Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, que demonstra que, no Brasil, o verdadeiro poder não está apenas em criar CPIs, mas em decidir se elas existirão de fato. A CPI do Banco Master já nasce com apoio expressivo — centenas de assinaturas parlamentares — cumprindo, portanto, os requisitos constitucionais. Ainda assim, permanece travada na gaveta institucional.

A chave está na chamada “leitura do requerimento”, ato formal que depende da presidência do Congresso. Sem isso, não há CPI. E Alcolumbre, ao que tudo indica, opta por não realizar esse passo.

Mais do que uma omissão, trata-se de uma escolha política.

Nos bastidores, articulações indicam um acordo para evitar o desgaste que uma investigação desse porte poderia causar — não apenas ao governo, mas a toda a classe política. O caso envolve relações delicadas entre empresários, parlamentares e até integrantes do Judiciário, o que transforma a CPI em um risco sistêmico.

Assim, a CPI do Master passa a ser menos uma ferramenta de apuração e mais uma moeda de negociação. Em troca de sua não instalação, avançam pautas de interesse de diferentes grupos, como votações sensíveis no Congresso.

O resultado é um fenômeno recorrente na política brasileira: CPIs que não morrem por falta de provas, mas por excesso de conveniência.

A oposição reage, judicializa, pressiona. Argumenta que a instalação é um direito da minoria parlamentar, garantido pela Constituição. Ainda assim, esbarra em uma realidade mais forte: a política como filtro final da institucionalidade.

O episódio expõe uma mudança silenciosa, porém profunda, no funcionamento do sistema. Antes, o debate era sobre criar ou não uma CPI. Hoje, a disputa é sobre permitir que ela exista. A formalidade jurídica cede espaço à engenharia política.

E é aí que o poder de Alcolumbre se revela em sua forma mais pura.

Não é o poder de investigar.
É o poder de impedir que se investigue.

Enquanto isso, o caso do Banco Master segue envolto em suspeitas de grandes proporções — considerado por autoridades como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

Mas, sem CPI, não há palco.
Sem palco, não há narrativa.
E sem narrativa, não há crise.

No fim, a CPI do Banco Master não fracassa.
Ela sequer nasce.

E talvez seja exatamente esse o seu destino planejado desde o início.

Creditos: Professor Raul Rodrigues