Ronaldo Lessa, o Rei das Vice-Governanças
24/04/2026, 16:38:25A trajetória de um político que transformou o papel de coadjuvante em estratégia de permanência no poder

Na política, há os que vivem do protagonismo absoluto, e há os que compreendem, com rara inteligência, a força da permanência. Ronaldo Lessa parece ter escolhido o segundo caminho — e o percorreu com habilidade suficiente para ser chamado, sem exagero, de o “Rei das vice-governanças”.
Ex-governador de Alagoas, com passagem marcante pelo Executivo estadual, Lessa construiu uma carreira que foge ao roteiro tradicional de ascensão e queda. Em vez de insistir na centralidade a qualquer custo, soube, em momentos decisivos, reposicionar-se no tabuleiro político. E é exatamente nesse movimento que reside a sua força.
Ser vice, no imaginário popular, pode soar como um papel secundário, quase figurativo. Mas, na prática, é um posto estratégico: está ao lado do poder, sem carregar sozinho o peso das crises. É a cadeira da espera, da observação e, muitas vezes, da articulação silenciosa. Lessa entendeu isso antes de muitos.
Ao longo dos anos, sua presença como vice não significou apagamento, mas adaptação. Em um cenário político como o de Alagoas — historicamente marcado por clãs, disputas intensas e alianças voláteis — sobreviver politicamente já é, por si só, uma vitória. Permanecer relevante, então, é um feito ainda maior.
Enquanto outros nomes surgem com discursos inflamados e desaparecem com a mesma velocidade, Lessa manteve-se como uma peça constante. Não necessariamente no centro do palco, mas sempre próximo o suficiente para influenciar os rumos da peça. É o político que compreendeu que o poder não está apenas em mandar, mas também em saber quando recuar para continuar jogando.
Há, evidentemente, críticas. Para alguns, a repetição no papel de vice pode sugerir acomodação ou falta de ambição. Para outros, revela pragmatismo — uma leitura fria e eficiente das engrenagens do poder. No fim, a política não premia apenas os mais barulhentos, mas os mais duradouros.
Em tempos em que muitos querem tudo, o tempo todo, Ronaldo Lessa parece ter optado por algo mais raro: continuar. E, na política, continuar é, muitas vezes, vencer.
