Oscar Schmidt e a Grandeza do Trabalho Dedicado
18/04/2026, 12:02:41
Um Legado de Dedicação
Recusou a NBA, treinou sozinho por décadas e entrou no meu show como qualquer um da plateia. Um cara assim merece mais do que um minuto de silêncio.
O Oscar Schmidt morreu ontem aos 68 anos, devido a um tumor cerebral. Ele lutou bravamente contra a doença por 15 anos, mantendo o mesmo espírito teimoso que o fazia ficar na quadra por horas, praticando arremessos de três pontos. A sua rotina era implacável: ele só deixava a quadra depois de acertar 20 cestas consecutivas. Um pequeno erro e ele começava tudo de novo.
Curiosamente, ele não se agradava do apelido "Mão Santa". Preferia ser chamado de "Mão Treinada", porque para ele, o sucesso não era fruto de um dom, mas sim resultado de muito trabalho e dedicação. A ideia de que a fama deveria ser uma consequência do mérito era fundamental para Oscar, em uma época em que ser reconhecido pelo talento era mais importante do que ser famoso.
Durante a minha adolescência, com 1,68m, não jogava futebol, mas era apaixonado por basquete. E, para complicar, o meu nome também era Oscar. O resultado? Muitas piadas sobre a minha habilidade no esporte. Anos depois, em um show de stand-up, uma surpresa: Oscar Schmidt estava na plateia.
Ele interagia, ria e até fez um comentário que deixou todos rindo: "É que você foi resultado da terceira transa da noite". A plateia foi ao delírio, e eu, mesmo me sentindo intimidado, aproveitei aquele momento único. Ofereci o show a ele, mas ele saiu sem me cumprimentar.
No dia seguinte, recebi uma mensagem dele se desculpando por não ter falado comigo. Curioso pensar que não tirei uma foto, nem peguei um autógrafo, e agora, após sua partida, não terei a chance de perguntar se ele realmente gostou das piadas.
A Dimensão da Grandeza
Crescer admirando alguém pelo que ele faz e, um dia, fazer piadas com ele enquanto ri do seu lado, é uma experiência única que a vida pode nos proporcionar. Oscar Schmidt foi até o ano passado o maior cestinha da história do basquete, até o LeBron James quebrar seu recorde.
Ele poderia ter optado pela NBA, mas escolheu jogar pela seleção brasileira. Participou de cinco Olimpíadas, sendo recordista de pontos em Jogos Olímpicos até hoje. E mesmo assim, quando participou de um show de stand-up, ele se comportou como um espectador comum, mostrando sua verdadeira grandeza.
Uma semana antes de falecer, Oscar foi homenageado ao ser incluído no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, com seu filho recebendo o troféu. Ao menos ele teve esse reconhecimento em vida.
Descansa, Mão Santa... Digo, Mão Treinada!
