Denúncias de Abuso Sexual no Exército de Alagoas
13/04/2026, 12:06:25
Casos de Violência e Abuso no Quartel
Dois ex-soldados denunciaram casos de violência e abuso sexual dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército Brasileiro (BIMtz), localizado no bairro do Farol, em Maceió, na capital alagoana. As acusações foram formalizadas e entregues ao Ministério Público Federal (MPF). O MPF confirmou o recebimento das denúncias e, como o caso envolve militares, será analisado para definir quem ficará responsável pelas investigações.
Os ex-soldados reportaram que as ocorrências de abuso aconteceram em junho e setembro de 2025. O Exército Brasileiro (EB) foi contatado para esclarecer se os militares envolvidos, tanto vítimas quanto suspeitos, foram afastados, mas não retornou até a publicação desta matéria.
Testemunhos dos Ex-Soldados
Pablo Vince Pereira da Silva, um dos denunciantes, revelou ter sido vítima de abuso sexual em setembro de 2025. O episódio ocorreu enquanto ele dormia, e um soldado aproveitou a situação para encostar o pênis em seu rosto, enquanto outro filmava o ato. Pablo soube do vídeo através de um amigo e abriu um procedimento interno para apurar o caso. Ele afirmou: "Eu estava há um ano e quatro meses no Exército, já tinha cumprido o período obrigatório e podia permanecer por até sete anos. Estou fazendo tratamento médico e tomando medicação controlada por conta dessa situação. Laudos médicos apontam que fiquei com sequelas por causa disso".
A segunda denúncia refere-se a um incidente ocorrido em junho de 2025, onde um cliente do advogado Alberto Jorge foi forçado a despir-se e agredido em uma câmara fria do quartel. O advogado descreveu a situação como tortura, envolvendo um sargento, quatro cabos e um soldado, que chamaram a vítima sob a justificativa de uma ordem de um superior. Ele relatou: "Deixaram-no nu e, por mais de dois minutos, e ficaram batendo nas nádegas dele. Ele estava há mais de um ano no Exército".
Consequências e Pedidos de Indenização
Após as denúncias, apesar de sindicâncias terem sido abertas para investigar os casos, os ex-soldados foram expulsos das Forças Armadas. O advogado Alberto Jorge afirmou que ambos os clientes apresentam sequelas em decorrência dos abusos sofridos e está pleiteando que sejam realocados para a reserva remunerada, além de indenizações por danos morais, materiais e psicológicos.
