Ética na política: “coisa do passado que não mais voltará”!

1982 tem outros exemplos bem mais profundos que levaram Penedo ao abismo administrativo sob o crivo das traições. Na época o MDB foi vítima dessas jogadas pela "vitória".

Ética na política: “coisa do passado que não mais voltará”!

Faço das minhas lembranças, ainda vivas em minha memória, as palavras ditas pelo saudoso prefeito de Penedo, Raimundo Marinho. Ele afirmava que não poderia apoiar de maneira direta o nome do Dr. Alcides dos Santos Andrade nas eleições de 1982 por uma questão de “postura política” — palavras do próprio Raimundo Marinho — enquanto descíamos a Ladeira da Quitanda em direção ao bar de Seu Duda, em um ensolarado dia de sábado.

A explicação era clara: apoiar diretamente o nome do Dr. Alcides criaria, entre seus eleitores, um clima de deformação de sua história política e de vida. Eram os tempos do homem de vergonha.

Hoje, passados exatos 44 anos, isso virou moda. Muda-se de partido como se troca de roupa. Os caciques partidários aceitam seus mais duros críticos, inclusive aqueles que antes inventavam mentiras contra a linhagem política dos governos que agora passam a integrar, como se tudo fosse normal. Vivemos a Era da Mistura, que denuncia interesses primários da natureza humana. O que vale é a perpetuação no poder.

E os exemplos se sucedem: JHC sai praticamente expulso do PL, enquanto seu líder no parlamento mirim afirma que o futuro o aguarda ao lado de quem o empurrou para fora da sigla, agora em um novo partido. A identidade política substitui a identidade do cidadão e do homem, e o vale-tudo assume o outdoor das campanhas. Sai de cena o “Vale a Pena Ver de Novo” e entra em destaque o “Vale a Pena Ver Pra Frente”. É o preço de cada um...

E o povo continua sendo apenas um detalhe, enquanto os políticos transformam os partidos em verdadeiras casas de aluguel, costuradas como colchas de retalhos.

Outros exemplos estão espalhados, com misturas ainda piores. Adrenalina pura.

Creditos: Professor Raul Rodrigues