Regras de visitação para filhos de Bolsonaro na prisão

Regras de visitação para filhos de Bolsonaro na prisão

Decisão do ministro Alexandre de Moraes

Em prisão domiciliar, Jair Bolsonaro deve seguir regras para visitas; o ministro proibiu também sobrevoo de drones no perímetro da residência.

Em decisão recente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu regras rigorosas para a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes negou o pedido da defesa que solicitou livre acesso dos filhos à residência onde ele cumpre a medida cautelar desde essa sexta-feira (27). Para o ministro, mesmo em ambiente doméstico, há um rigor quanto ao cumprimento de pena e um controle de fluxo que deve ser respeitado.

Regras impostas pela decisão

Segundo Moraes, mesmo com a alteração temporária de regime de prisão, "a substituição do local de cumprimento da pena não se confunde com a progressão para um regime mais brando" e segue as regras do regime fechado.

Foi determinado pelo ministro à defesa a lista dos visitantes com nome completo e número de identificação e impõe as seguintes regras:

  • As visitas diárias serão realizadas por um advogado, com duração máxima de 30 minutos;
  • As visitas poderão ser feitas apenas entre 8h20 e 18h;
  • As visitas deverão ser realizadas mediante prévio agendamento junto ao Complexo Penitenciário do 19º Batalhão da Polícia Militar;
  • Toda movimentação será registrada em relatório a ser enviado semanalmente pelo Batalhão ao Juízo.

O único filho que consta na lista cadastrada no STF e demais unidades de segurança é o do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Consequências do descumprimento

O magistrado deixou claro na decisão que o descumprimento das medidas e regras judiciais implica na revogação da prisão domiciliar e "retorno imediato ao regime fechado" ou, dependendo do estado de saúde de Jair Bolsonaro, ao hospital penitenciário.

Vigilância e segurança ampliadas

Em sua decisão, o ministro determinou ainda que fossem listados os nomes dos advogados que "pretendem realizar as visitas" e ainda dos funcionários que trabalham na residência, para cadastro junto à Suprema Corte.

Além do controle de quem entra e sai da residência, Moraes estendeu a vigilância para o espaço aéreo. O magistrado proibiu o sobrevoo de drones ou equipamentos de captação de imagens por controle remoto nas proximidades da casa de Jair Bolsonaro. A medida foi atendida pelo ministro a um pedido da segurança institucional.

A determinação, de origem do mesmo inquérito, visa impedir o monitoramento não autorizado e possíveis tentativas de comunicação externa que escapem ao monitoramento oficial. Em trecho da decisão, Moraes indica que tal captação "configura interferência indevida na custódia do investigado e risco à segurança da diligência".

Até o fechamento dessa matéria, os filhos de Jair Bolsonaro não se manifestaram sobre as regras do STF sob a prisão domiciliar.