Brasil, uma seleção entre buracos negros

O Brasil perde mais uma vez para a França, evidenciando nossas deficiências justamente naquilo em que antes éramos autossuficientes.

Brasil, uma seleção entre buracos negros

Não se trata apenas de uma observação nossa, mas de constatações feitas por diversas personalidades técnicas do futebol mundial, comprovadas pelas atuações medíocres dos novos “talentos”, que chegam a levar uma torcida, já desesperada, a clamar por Neymar em plenas condições, ainda que apenas para evitar o desmanche. Se ainda sabe jogar, não consegue demonstrar, em razão da deficiência física.

A possível vinda de um técnico especializado em vitórias na Champions League, como Carlo Ancelotti, trouxe raios de esperança. Contudo, nossa produção de craques parece hoje adaptada a atuar em grandes clubes mundiais, ao lado de outros verdadeiros talentos que definem seus perfis para equipes, mas não mais para uma seleção que treina por poucos períodos como preparação para uma Copa do Mundo.

Já não existem o tempo nem a qualidade técnica necessários para a formação de um time vencedor. Além disso, muitos jogadores deixaram de ser apenas atletas ou colaboradores e passaram a se transformar em verdadeiros garotos-propaganda de produtos consumistas, em detrimento do amor à camisa. Jogar tornou-se quase um detalhe: ganham mais vendendo sua imagem do que propriamente atuando em campo.

E, quanto às lacunas evidentes, não possuímos mais atacantes natos, laterais definidos, nem um meio-campo que seja, ao mesmo tempo, destruidor e criativo. Tampouco contamos com lideranças dentro de campo.

Creditos: Professor Raul Rodrigues