Relato de Vizinhos sobre Caso de PM Morta

Relato de Vizinhos sobre Caso de PM Morta

Depoimentos Reveladores

Depoimentos ouvidos pela Polícia Civil revelam detalhes da convivência entre a policial militar Gisele e o marido tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa. Testemunhas que moravam no mesmo andar apontam discussões frequentes, comportamento reservado e episódios considerados estranhos no relacionamento.

Vizinhos Relatam Conflitos

A advogada Fabiola Diamante Gonçalves, vizinha de porta do casal, afirmou que convivia no mesmo andar desde a mudança deles para o apartamento. No dia do crime, ela e o marido estavam viajando e não presenciaram o ocorrido. Mesmo assim, relatou que as brigas eram constantes. "Sabia que o casal tinha brigas constantes, pois dava para escutá-los gritando, mas não dava para entender o teor". Segundo Fabiola, no fim do ano passado, uma discussão chamou atenção. "Ouvi Gisele dizendo que sairia de casa junto com a filha, que retornaria para a casa dos pais", relatou. Ela destacou que nunca ouviu agressões físicas, mas os conflitos eram frequentes. "Nunca escutei sons de agressões físicas, mas sempre escutava o casal discutindo e a porta de saída do imóvel batendo com força".

Comportamento Reservado

A testemunha também chamou atenção para o comportamento reservado do casal. "Não via Geraldo, Gisele ou a criança nas áreas comuns do prédio". Sobre o oficial, acrescentou: "Ele não costumava sequer responder aos cumprimentos". Fabiola descreveu ainda um episódio que considerou estranho ao encontrar o casal no elevador. "Gisele ficou o tempo inteiro de cabeça baixa e, quando chegaram ao andar, ela saiu correndo para abrir a porta". Segundo ela, o marido teria agido de forma a impedir a visualização da vítima. "Geraldo se colocou na frente para escondê-la. Nunca a encontrei saindo sozinha, estava sempre acompanhada".

Confirmação dos Relatos

O marido de Fabiola, Allan El Kadri, confirmou os relatos e trouxe detalhes semelhantes sobre a dinâmica do casal. Ele também destacou a frequência das discussões: "Escutávamos os gritos, mas não dava para entender o que estavam dizendo". No dia do crime, a estudante Julle Anne Gonçalves, que mora no mesmo andar, relatou ter ouvido o disparo na manhã do caso. "Acordei exatamente às 7h28 ao ouvir um estampido forte". Segundo ela, o horário ficou marcado pela reação dos cães. "Eles latiram sem parar, e eu olhei o celular porque acordei assustada", afirmou. A testemunha também confirmou o histórico de brigas. "Sabia que o casal tinha discussões constantes, pois dava para escutar os gritos. Nunca vi Gisele circulando sozinha pelo condomínio, apenas acompanhada pelo marido, até na academia".

Ações Após o Disparo

O policial militar Cícero Gecycleiton dos Santos que atendeu a ocorrência relatou que a vítima ainda estava sendo socorrida quando chegou ao local. Segundo ele, o tenente-coronel apresentou uma versão inicial do ocorrido. "Disse que estava no banheiro, ouviu um barulho e encontrou a esposa caída ao sair". O agente destacou ainda um comportamento considerado incomum após o fato. "Mesmo orientado a ir imediatamente ao distrito, ele insistiu em tomar banho antes de sair do apartamento". De acordo com o relato, o oficial permaneceu no banheiro por alguns minutos, apesar da recomendação de preservação da cena.

Estado da Vítima

O médico socorrista Maurício Miname, com 19 anos de atuação no Grupo de Resgate, descreveu o estado da vítima ao chegar ao local. "Ela estava caída na sala, com um ferimento grave na cabeça e muito sangramento, mas ainda apresentava sinais vitais". Segundo ele, o quadro era crítico, mas ainda havia atividade cardíaca. Miname afirmou que encontrou o tenente-coronel próximo ao elevador. "Ele estava sentado, ao telefone. Informei que a situação era gravíssima, mas que ela ainda estava com vida. Ele apenas pediu para que eu a salvasse". A remoção dela para um hospital, segundo ele, foi uma decisão técnica. "A retirada foi definida em consenso médico, já que havia sinais vitais que impediam a constatação de óbito, apesar da gravidade extrema", afirmou. Miname também destacou a ausência de elementos relevantes na cena. "Não observei cartucho de munição no local, nem a arma utilizada durante o atendimento".